TARIFAS DOS EUA PREOCUPAM
Lucas Ferraz alerta que novas tarifas americanas prejudicam o Brasil diante de concorrentes
Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, detalha que novas taxações americanas, combinadas com medidas anteriores, podem levar a tarifas de até 37,5% sobre exportações brasileiras, deixando o país em desvantagem competitiva.
O Brasil corre o risco de sofrer um abalo significativo em sua posição comercial internacional, especialmente quando comparado a seus principais concorrentes. Essa preocupação emerge após a recente imposição de novas tarifas pelo governo dos Estados Unidos. Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, avaliou o cenário em entrevista ao programa WW nesta terça-feira, 07/07/2026, destacando o impacto na dignidade econômica do país.
A nova medida busca restabelecer tarifas que haviam sido canceladas anteriormente pela Suprema Corte americana em fevereiro. Ferraz explicou que, após a decisão judicial que limitou a autonomia do então presidente Donald Trump na aplicação de tarifas discricionárias, já se previa que investigações futuras, como as conduzidas pelo representante do comércio e pela Seção 301, seriam utilizadas como alternativa para contornar a decisão.
Ferraz confirmou que, na sequência da decisão da Suprema Corte, Trump passou a empregar um novo dispositivo, a Seção 1-2-2, que adicionou tarifas de 10%, com vencimento previsto para o final de julho. Essa estratégia demonstra uma persistente busca por ferramentas para impor barreiras comerciais.
O cenário se agrava com a coincidência de prazos e o acúmulo de taxações. O especialista ressaltou que a data limite de 15 de julho se alinha à aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Adicionalmente, uma outra investigação em andamento, focada em importações de produtos elaborados com trabalho forçado, pode adicionar mais 12,5% de taxação. Juntas, essas medidas podem resultar em tarifas totais de 37,5% sobre uma parcela expressiva das exportações brasileiras, afetando diretamente a subsistência de trabalhadores e empresas.
A principal preocupação de Ferraz não reside apenas no percentual absoluto das tarifas, mas na posição relativa que o Brasil ocupará frente a seus pares globais. "O Brasil, de novo, fica mal na fita relativamente aos seus competidores internacionais", declarou. Ele estima que até 30% das exportações brasileiras poderão ser impactadas por essa alíquota de 37,5%, enquanto países como os da União Europeia e nações asiáticas devem enfrentar taxas menores. "O Brasil realmente ficará numa situação muito complicada", concluiu, alertando para a fragilização da soberania econômica brasileira e o impacto na dignidade dos trabalhadores que dependem dessas exportações.
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