DIPLOMACIA E HISTÓRIA

Brasil não deve devolver troféus de guerra reivindicados pelo Paraguai

Canhões e relíquias da época da Guerra do Paraguai em exposição.
Peças históricas e troféus da Guerra do Paraguai seguem em posse do Brasil.

Governo brasileiro descarta restituir itens históricos solicitados pelo Paraguai após falas de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito regional.

O governo brasileiro não pretende atender à solicitação de devolução de peças e troféus históricos ligados à Guerra do Paraguai, atualmente sob posse de instituições brasileiras. A demanda surgiu em meio a uma crise diplomática disparada após declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o conflito.

O pedido foi formalizado em nota de repúdio enviada pelo Paraguai após o Presidente afirmar, durante um evento em São Paulo na sexta-feira (24/07), que o “Paraguai resolveu invadir o Brasil” para desencadear a Guerra da Tríplice Aliança. Para o governo paraguaio, a fala distorce fatos históricos cruciais para a identidade da nação.

No documento, a chancelaria paraguaia propõe a restituição do Canhão Presidente López, do Canhão Cristiano e de outros itens, além de cópias de arquivos históricos, como um gesto de reparação simbólica. Para a sociedade paraguaia, o conflito que terminou em 1870 representa um trauma profundo, com estimativas de perda de quase metade da população do país à época.

Apesar da pressão diplomática, fontes do governo brasileiro ouvidas pelo Metrópoles confirmam que a devolução não está em negociação. A posição oficial é de que os objetos constituem parte integrante do patrimônio histórico do Brasil. O episódio é tratado pela diplomacia como um ruído conjuntural, sem reflexos duradouros na relação bilateral entre os países.

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