SUSTENTABILIDADE E LITERATURA

Livro impresso ou digital: o impacto ambiental das escolhas de leitura

Pilha de livros e dispositivo de leitura digital sobre uma mesa.
O debate sobre o formato de leitura envolve desde a extração de recursos naturais até o descarte de dispositivos eletrônicos.

A escritora Tamara Klink reacende o debate sobre o consumo consciente de livros e o custo real de cada formato para o planeta.

A escritora e navegadora Tamara Klink provocou um debate sobre sustentabilidade ao incentivar que leitores evitassem a compra de exemplares físicos de sua obra, Bom Dia, Inverno, defendendo a circulação de títulos já existentes como alternativa de menor impacto ambiental. A recomendação central da autora, pautada na redução do consumo desenfreado, coloca em foco os custos ecológicos da indústria editorial em um mercado global que movimenta bilhões de dólares anualmente.

O peso do papel na balança climática

Desde a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg na Alemanha, a produção de livros tornou-se um pilar da disseminação do conhecimento humano. No entanto, o custo para o meio ambiente envolve o corte de árvores vitais para a biodiversidade e o armazenamento de carbono. Embora editoras como a Penguin Random House UK utilizem papel certificado pelo Forest Stewardship Council (FSC), organizações como o Greenpeace alertam para riscos de "lavagem verde" no setor.

Dados da WordsRated indicam que cada unidade impressa pode gerar até 330 gramas de CO2. Com a venda de cerca de 2,2 bilhões de livros físicos por ano globalmente, o montante total de emissões é comparável às emissões anuais de centenas de milhares de automóveis.

A transição para o digital é a solução?

Os livros digitais, impulsionados por dispositivos como o Kindle da Amazon, eliminam o uso de papel e a necessidade de transporte logístico. Contudo, a produção desses aparelhos exige minerais raros — como lítio e cobalto — e processos que consomem altos níveis de energia e água. Além disso, a vida útil de um leitor digital é limitada a poucos anos, criando desafios com o lixo eletrônico.

Segundo Eri Amasawa, professora da Universidade de Tóquio, a compensação ambiental do livro digital depende da intensidade de uso. O formato eletrônico torna-se mais sustentável que o impresso apenas quando o leitor consome pelo menos 15 a 25 livros ao longo da vida útil do dispositivo. A especialista reforça que a escolha consciente, independentemente do formato, é o ponto de virada para a preservação ambiental.

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