TECNOLOGIA NA MÚSICA

Indústria musical brasileira adota IAs em hits de artistas pop

Interface de plataforma de criação musical por IA
Plataformas como o Suno AI se popularizaram para criação de músicas — Foto: Captura de tela/Suno

Profissionais da indústria revelam o uso constante de ferramentas como Suno, ChatGPT e Gemini para agilizar produções e reduzir custos de criação.

O uso de Inteligência Artificial deixou de ser uma curiosidade periférica para se tornar uma engrenagem central na criação da música pop nacional. Profissionais do setor confirmaram que a presença de IAs na composição, produção e até na gravação de vozes é uma realidade consolidada, impulsionada pela busca por eficiência e redução de custos no competitivo mercado fonográfico.

De acordo com relatos coletados em 11/08/2026, embora o público ouça frequentemente hits assinados por artistas reais, a participação da tecnologia vai muito além da mixagem. Ferramentas como o Suno se tornaram indispensáveis, permitindo a geração de instrumentais complexos, como corais e arranjos de violão, que substituem a contratação de músicos e horas de estúdio.

A aplicação prática dessa tecnologia pode ser observada em casos específicos, como na música "Venenosa" (2024), interpretada por Pocah, MC GW e Triz. A cantora e compositora Tállia revelou que um trecho do refrão foi gravado por ela mesma e processado via IA com a voz de Pocah. O método, autorizado pela artista, exemplifica como a ferramenta atua para contornar agendas lotadas e prazos apertados.

Para produtores como Daniel Ganjaman, a popularização de plataformas que entregam resultados prontos a partir de prompts genéricos reflete uma lógica industrial. A celeridade proporcionada pela IA, que permite finalizar produções em poucos meses ou até dias, é o principal atrativo para um mercado focado em engajamento constante.

Entretanto, o uso dessas plataformas levanta questões éticas profundas. Especialistas apontam que o treinamento das IAs, frequentemente realizado a partir de canções protegidas sem a devida autorização, gera riscos de plágio — ponto que já resultou em vitórias judiciais, como a recente decisão da GEMA na Alemanha contra o Suno.

Enquanto o ouvinte comum parece priorizar a estética do hit "chiclete", profissionais alertam para a perda da subjetividade e a presença de "imperfeições técnicas" em produções geradas por máquinas. O consenso na indústria é que, embora a IA facilite o lucro e a escala, a criação de uma obra atemporal capaz de conectar gerações permanece, até o momento, como uma competência exclusivamente humana.

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