DECISÃO AMERICANA

Lindbergh Farias pede ao STF que inclua decisão dos EUA sobre facções em ação contra Eduardo Bolsonaro

Deputado Lindbergh Farias em pronunciamento.
Deputado Lindbergh Farias (PT) apresentou um pedido ao STF neste sábado (30/05/2026).

Deputado Lindbergh Farias (PT) solicita ao STF que decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas seja incorporada a processo contra Eduardo Bolsonaro, investigado por suposta coação contra autoridades brasileiras.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT) solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas seja incluída, como fato novo, ao processo em que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro responde na corte. O pedido, feito neste sábado, 30/05/2026, surge em meio a investigações que apuram o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta coação contra autoridades brasileiras. Na visão do parlamentar, a ação americana reforça a conexão entre a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo com uma tentativa de pressionar instituições brasileiras e dificultar a cooperação penal internacional. Lindbergh argumenta que a classificação das facções teve como objetivo atrapalhar investigações financeiras em andamento e evitar transparência sobre o caso. O deputado avalia que, ao enquadrar o crime organizado sob a legislação antiterrorismo, determinados procedimentos podem migrar da cooperação penal tradicional para mecanismos ligados à segurança nacional e à inteligência dos Estados Unidos, operando sob regras mais restritivas de acesso a informações. "O pedido de classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, nesse contexto, possui dupla dimensão. De um lado, produz impacto sobre a soberania nacional, pois permite a um Estado estrangeiro projetar sobre território, empresas, instituições financeiras, pessoas e políticas públicas brasileiras a lógica jurídica de sua própria legislação antiterrorismo. De outro lado, pode afetar diretamente a cooperação penal internacional, pois desloca investigações ordinárias de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes financeiros para estruturas de inteligência, segurança nacional e sigilo ampliado", declarou o deputado. A tese apresentada por Lindbergh é que integrantes do entorno político de Jair Bolsonaro estariam tentando dificultar o acesso de autoridades brasileiras ao rastreamento de recursos financeiros que teriam financiado as atividades de Eduardo. A petição também sustenta que a mobilização de um governo estrangeiro para impor sanções e tarifas contra autoridades e instituições brasileiras representaria uma afronta à soberania nacional e à autodeterminação do Estado brasileiro. Eduardo Bolsonaro responde a uma ação no STF após ser acusado de articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e integrantes de instituições brasileiras em 2025. Ele está em território norte-americano desde fevereiro de 2025 e, segundo a denúncia, teria atuado no país para interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. Na semana passada, Lindbergh já havia solicitado a ampliação da investigação para incluir o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado argumenta que há indícios de que Daniel Vorcaro — dono do Banco Master e alvo de investigações sobre supostas fraudes financeiras — teria financiado a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, mas o dinheiro teria sido desviado para custear a permanência e as atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encaminhou o pedido de ampliação da investigação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação. A nova petição de Lindbergh busca acrescentar novos elementos à análise conduzida pela PGR antes que ela envie seu posicionamento final sobre a ampliação do inquérito.

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