ATAQUE DIRETO

Lindbergh Farias e André Janones criam "time do Lula" em vídeos de ataque à oposição

Deputados Lindbergh Farias e André Janones em vídeo contra a oposição.
Os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e André Janones (Rede-MG) em vídeo publicado em 9 de abril de 2026.

A dupla de deputados federais aposta em conteúdo viral para rebater críticas da família Bolsonaro e defende o governo petista, visando engajamento nas redes sociais.

O embate político nas redes sociais ganhou um novo capítulo. Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e André Janones (Rede-MG) uniram forças para criar vídeos conjuntos com o objetivo de confrontar a família Bolsonaro. A iniciativa, autodenominada "time do Lula", reúne congressistas com forte apelo digital e um discurso afiado no Congresso Nacional. A estratégia surge em resposta às afirmações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de montar uma equipe para espalhar narrativas falsas contra ele.

Os vídeos produzidos pela dupla miram diretamente em Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em 9 de abril de 2026, o primeiro material divulgado seguiu uma tendência viral, com os deputados respondendo a uma declaração de Flávio Bolsonaro sobre ser o "time do Lula". "Nós somos o time do Lula, sim! Não vamos nos intimidar com esse seu processinho, porque a gente sabe que vamos provar os seus crimes", declarou Lindbergh Farias em tom desafiador.

A segunda gravação, publicada em 13 de maio de 2026, inovou com uma cena de Lindbergh chutando um detergente da marca Ypê, em alusão à suspensão de produtos da empresa pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por questões sanitárias. A ação ocorreu em meio a alegações, sem provas, de perseguição política por parte de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), que ligaram a doação da empresa para a campanha do ex-presidente em 2022. Vestindo uniformes esportivos e em um campo de futebol, Lindbergh e Janones classificaram o caso como "cortina de fumaça" e abordaram a denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) contra Eduardo Bolsonaro, antecipando que "a cadeia está chegando" para o deputado.

Uma terceira colaboração nas redes sociais ocorreu após o vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro teria cobrado dinheiro do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Desta vez, Lindbergh e Janones, trajando camisas da seleção brasileira e fazendo embaixadinhas, alertaram que "a Polícia Federal vai para cima de você", direcionando a mensagem para Flávio Bolsonaro.

A repercussão dos vídeos foi mista. Enquanto apoiadores elogiaram o tom de "deboche" e "descontração", críticos classificaram as produções como "patéticas". O cientista político Vítor Oliveira, diretor da consultoria Pulso Público, analisa que o ponto de união entre Lindbergh Farias e André Janones reside no discurso combativo contra adversários. Oliveira aponta diferenças em suas trajetórias: Lindbergh, com um perfil mais tradicional e "homem de partido", e Janones, que construiu sua base política intensamente através das plataformas digitais com um "trato menos decoroso com os adversários". Essa aproximação, segundo o especialista, busca maior flexibilidade e agilidade na comunicação da esquerda, que ainda enfrenta desafios ao incorporar estratégias semelhantes às da direita.

Apesar de reconhecer a lógica da estratégia, Vítor Oliveira adverte para os riscos inerentes, como a "ausência de controle do discurso", uma linha que, na sua visão, "o Planalto não é capaz –e talvez nem deva– perseguir, dada a liturgia do cargo presidencial". Ambos os parlamentares enfrentam representações no Conselho de Ética da Câmara. O PL acusa Lindbergh de usar o mandato para promover perseguição política, citando um episódio em que chamou o deputado Alfredo Gaspar de "estuprador". Janones, por sua vez, responde a uma representação por um comentário considerado sexista contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Oliveira avalia que, mesmo sem impacto direto na eleição presidencial, os vídeos podem ampliar o protagonismo individual de Lindbergh e Janones em um cenário cada vez mais influenciado por emendas parlamentares e pela conexão com os eleitores.

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