DECISÃO DO STF

Lindbergh Farias critica comparações entre cartas de Bolsonaro e Lula

Deputado Lindbergh Farias sendo entrevistado
Deputado Lindbergh Farias (PT) é entrevistado pelo colunista Paulo Cappelli no estúdio Metrópoles

Petista aponta uso político de carta de Jair Bolsonaro e defende rigor judicial contra a estratégia de Flávio Bolsonaro

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou a narrativa utilizada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 13/07/2026. A manifestação ocorreu após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, em resposta à circulação de uma carta escrita pelo ex-presidente.

Para Lindbergh Farias, a tentativa de traçar um paralelo entre a atual situação de Jair Bolsonaro e as cartas enviadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que o atual presidente esteve preso carece de fundamento jurídico. O parlamentar ressaltou que, no caso de Lula, não havia uma determinação judicial expressa proibindo manifestações públicas, cenário oposto ao enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob medida cautelar proibindo o uso de redes sociais, direta ou indiretamente.

“A comparação com as cartas de Lula não faz sentido. Naquele caso, não existia decisão judicial proibindo manifestações públicas. Aqui, a cautelar é expressa: Jair Bolsonaro não pode utilizar suas redes nem se valer de terceiros para transmitir suas mensagens”, afirmou Lindbergh Farias.

O deputado avaliou que a exposição do documento não foi um ato de ingenuidade, mas uma estratégia política desenhada para contornar restrições impostas pelo Tribunal. Segundo o petista, a manobra visava recolocar Jair Bolsonaro no centro da disputa eleitoral diante do baixo desempenho da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes determinou um prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro apresente esclarecimentos sobre o ocorrido. O magistrado destacou que o uso das visitas familiares para a produção de conteúdo destinado à internet configura, em tese, burla às condições fixadas por este Juízo. O episódio, que culminou na proibição das visitas de Flávio Bolsonaro pelo prazo de 90 dias, também foi encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para análise de possível propaganda antecipada.

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