CIÊNCIA VENCE NO NORDESTE

Liga Contra o Câncer desponta entre os 10 maiores centros de pesquisa clínica do Brasil

Liga Contra o Câncer em sua unidade.
Liga Contra o Câncer alcançou o 6º lugar no ranking nacional dos centros de pesquisa clínica.

Instituição potiguar alcançou o 6º lugar no ranking nacional de centros de pesquisa clínica em 2025 e se consolida como líder regional, ampliando o acesso a tratamentos inovadores.

A Liga Contra o Câncer alcançou o 6º lugar no ranking nacional dos centros de pesquisa clínica mais selecionados para ensaios clínicos no Brasil em 2025 e consolidou-se como a principal instituição do Nordeste na área. O dado, divulgado neste mês na 9ª edição do relatório anual da Coordenação de Pesquisa Clínica em Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, coloca a entidade potiguar entre os dez maiores centros de pesquisa clínica do País, um marco significativo para a ciência e a saúde regional.

Esta posição é especialmente relevante por se tratar de uma instituição 100% filantrópica, sediada no Rio Grande do Norte. Com seis unidades e atendimento majoritariamente voltado ao SUS, a Liga assistiu a mais de 130 mil pacientes em 2025, com mais de 70% utilizando o Sistema Único de Saúde. No mesmo período, a instituição realizou mais de 1 milhão de procedimentos, demonstrando sua vasta capacidade de atendimento e impacto social.

Liga Contra o Câncer em sua unidade.

Para a diretora-geral executiva da Liga, Karla Emerenciano, o resultado valida a força científica da instituição e expande o alcance do tratamento oferecido aos pacientes potiguares. "É muito gratificante podermos oferecer à população do nosso Estado, um Estado carente, no Nordeste do Brasil, e despontarmos como o melhor centro do Nordeste e entre os dez melhores centros do Brasil", declarou em entrevista ao RN no Ar, da TV Tropical. Ela ressalta que o avanço transcende a conquista institucional, impactando diretamente a vida dos pacientes com câncer, pois permite oferecer esperança e acesso a terapias de ponta.

O Centro de Pesquisa Clínica da Liga opera há cerca de 20 anos, participando de estudos nacionais e internacionais, muitas vezes multicêntricos e com colaboração de centros na Europa, Estados Unidos e Ásia. Estes protocolos são cruciais para testar medicamentos inovadores, que ainda não estão disponíveis no Brasil, oferecendo aos pacientes uma chance de tratamento com terapias de vanguarda.

Karla Emerenciano detalhou que todo o processo de pesquisa é submetido a rigoroso controle, auditoria e fiscalização. A inclusão de pacientes ocorre mediante compatibilidade com os critérios de cada estudo, garantindo que recebam drogas que podem não ter disponibilidade imediata no País. O trabalho envolve fases distintas de pesquisa: a Fase 1 avalia a eficácia inicial, a Fase 2 observa segurança e dosagem, e a Fase 3 compara novos medicamentos com tratamentos existentes para verificar superioridade.

Entre os tratamentos testados estão a imunoterapia e as drogas-alvo específicas, que representam avanços significativos para diversos tipos de câncer e permitem terapias mais personalizadas. "A gente vê pacientes com doença controlada, com a doença desaparecendo, porque foi oferecida uma droga que ele não teria tido acesso se não fosse pela pesquisa clínica", afirmou Karla, destacando as respostas fantásticas observadas quando o tratamento é direcionado a alterações moleculares específicas do tumor.

Karla Emerenciano, diretora-geral executiva da Liga Contra o Câncer.

A proeminência da Liga no ranking da Anvisa evidencia sua capacidade de produção científica no Nordeste. Karla Emerenciano expressou o orgulho de ver estudos com a assinatura da instituição em congressos internacionais. O resultado é fruto também do trabalho do Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação (IEPI) da Liga, dirigido pelo médico Edilmar Moura, que congrega equipes multidisciplinares na condução de protocolos clínicos sob rigorosas exigências técnicas, éticas e regulatórias.

A participação em pesquisas não é automática; cada estudo possui critérios específicos de inclusão que consideram tipo de tumor, estágio da doença, características moleculares e histórico clínico. A Liga permanece aberta a parcerias e ao encaminhamento de pacientes por outros médicos, visando expandir o acesso a tratamentos inovadores. "O centro é aberto. Médicos que queiram encaminhar pacientes para o nosso centro, a gente está aberto para isso, para esses recrutamentos, para que a gente possa fazer parcerias e trazer mais pacientes para serem beneficiados", disse Emerenciano. Ela ressaltou, contudo, que nem sempre o perfil do paciente se alinha aos critérios de um estudo específico, mesmo que haja o desejo de participar.

A Liga Contra o Câncer investiga diferentes tipos de câncer e subtipos moleculares, reconhecendo que perfis biológicos distintos demandam respostas terapêuticas variadas. O relatório da Anvisa corrobora a oncologia como área de vanguarda na pesquisa clínica brasileira, reforçando a importância de centros especializados como a Liga para o avanço da medicina, o monitoramento da segurança e a produção de dados confiáveis.

Ao final da entrevista, Karla Emerenciano agradeceu aos pacientes que participam voluntariamente dos estudos. "Além de buscarem uma alternativa de tratamento, esses pacientes contribuem para o avanço da medicina e para o cuidado de outras pessoas no futuro", concluiu. Com o 6º lugar nacional, a Liga Contra o Câncer solidifica sua posição na ciência brasileira, garantindo aos pacientes do Rio Grande do Norte acesso mais próximo a terapias inovadoras e protocolos internacionais, antecipando benefícios que poderiam demorar a chegar à rede pública.

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