EQUILÍBRIO E DESENVOLVIMENTO

Licenciamento ambiental define rumos do desenvolvimento econômico no RN

Aerogeradores de parque de energia eólica em São Miguel do Gostoso
Aerogeradores de parque de energia eólica em São Miguel do Gostoso

Estado integra novos projetos de energia e mineração, exigindo critérios rigorosos para preservar comunidades e recursos naturais frente a investimentos bilionários.

O Rio Grande do Norte vivencia uma nova onda de investimentos em infraestrutura e energia que coloca o licenciamento ambiental como o elemento central para garantir a viabilidade econômica e a justiça social no Estado. A complexidade do cenário atual, marcada por projetos como o Porto-Indústria Verde em Caiçara do Norte e a expansão de parques eólicos offshore, exige que órgãos como o Idema e o Ibama transcendam a análise técnica básica para avaliar o impacto real nas comunidades e no patrimônio natural.

Lições do setor terrestre

A consolidação do RN como referência nacional em energia eólica terrestre trouxe arrecadação, mas também conflitos territoriais. Estudos em comunidades como Enxu Queimado, em Pedra Grande, e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, entre Macau e Guamaré, demonstram que licenças formais não impedem tensões se o uso tradicional do solo e da pesca não forem devidamente considerados. A falha na comunicação com a população local transforma, muitas vezes, projetos regulares em fontes de oposição social e insegurança jurídica.

Inovação e controle hídrico

No Seridó, o Projeto Borborema, da Aura Minerals, exemplifica como condicionantes rigorosas podem moldar investimentos. Para operar em Currais Novos, a mina de ouro investiu R$ 48,4 milhões em um sistema que utiliza 1.680 metros cúbicos diários de efluentes sanitários tratados, garantindo que 90% da água do beneficiamento seja recirculada. O modelo protege os açudes da região contra a escassez, embora mantenha a necessidade de controle estrito sobre poeira, vibrações e rejeitos.

A fronteira do offshore

O futuro da matriz potiguar aponta para o mar. Com 14 projetos eólicos offshore em fase de licenciamento, totalizando 25,5 gigawatts, a pressão sobre o ecossistema marinho e as rotas pesqueiras será inédita. Documentos submetidos ao Ministério de Minas e Energia (MME) reforçam que o sucesso desses empreendimentos depende de estudos que não ignorem a sazonalidade da pesca artesanal e as rotas de navegação.

Segurança para investidores e sociedade

A experiência da Barragem de Oiticica, inaugurada em 2025, evidenciou que indenizações financeiras não suprem a perda de referências culturais e sociais. Nesse contexto, a aplicação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental reforça a necessidade de transparência e participação pública. Para o RN, o desafio é combinar a celeridade dos processos com a robustez técnica, garantindo que o progresso econômico não ocorra em detrimento da dignidade da população.

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