MARCO DA PROTEÇÃO

Lei Maria da Penha completa 20 anos com avanços significativos no DF

Arte comemorativa aos 20 anos da Lei Maria da Penha em fundo temático.
Lei Maria da Penha completa 20 anos com avanços significativos no Distrito Federal.

Legislação garante assistência jurídica e proteção a vítimas de violência; na capital federal, maioria das medidas protetivas é concedida no mesmo dia.

A Lei Maria da Penha, instrumento vital na proteção de mulheres contra a violência, completa 20 anos nesta sexta-feira (7/8). A norma, que se tornou um pilar fundamental para a segurança feminina no País, transformou a forma como o Estado e a sociedade enfrentam agressões domésticas, assegurando direitos básicos e mecanismos de urgência para salvar vidas. A origem da lei remete à história de superação da farmacêutica Maria da Penha, vítima de sucessivas tentativas de homicídio por parte do ex-marido, Marco Antônio Heredia Viveiros. Após anos de impunidade, o caso alcançou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), que, em 2001, responsabilizou o Estado brasileiro por omissão, impulsionando a criação de uma legislação específica. Desde a sua sanção, a lei tipifica e detalha diversas formas de violência: física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e a violência vicária — aquela praticada contra entes queridos da mulher com o objetivo de feri-la. Além da proteção direta, o texto garante atendimento prioritário no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Sistema Único de Segurança Pública (Susp), garantindo auxílio em momentos críticos. No Distrito Federal, a eficácia do aparato protetivo é medida pela agilidade. Dados do Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, no primeiro semestre de 2026, 71% das medidas protetivas foram deferidas no mesmo dia da solicitação, superando a meta legal de 48 horas estabelecida pela Resolução nº 346 do CNJ. Para a secretária executiva da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), Regilene Siqueira Rozal, a lei é um modelo de robustez. Entretanto, a gestora alerta que a eficácia da norma depende de uma implementação homogênea em todo o território nacional. 'O desafio no Brasil é fazer valer a lei na prática, garantindo que o aparato protetivo chegue efetivamente a quem precisa', ressalta. Mesmo com a evolução no atendimento, o cenário impõe reflexões profundas. O Estudo dos Feminicídios Consumados no DF revelou que, no primeiro semestre de 2026, 11 casos foram registrados, sendo que a maioria das vítimas já sofria agressões prévias. Para Regilene Siqueira Rozal, o enfrentamento ao feminicídio ultrapassa a segurança pública e exige uma transformação cultural profunda. 'Precisamos pensar nas gerações futuras, pois a vulnerabilidade feminina ainda está enraizada em questões sociais', conclui.

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