VOOS MAIS CAROS

Latam corta voos no Brasil por combustível

Avião da Latam pronto para decolagem em Aeroporto da Zona da Mata.
Avião da Latam no Aeroporto da Zona da Mata. Foto: Gabriel Magacho/Divulgação

Companhia aérea reduz até 3% das operações para junho, prevendo mais de US$ 700 milhões em custos extras. Preço do querosene dobrou em três meses.

A Latam Airlines Group decidiu, nesta quarta-feira, 06/05/2026, reduzir entre 2% e 3% de seus voos programados para junho no Brasil. A medida, anunciada em resposta à escalada implacável dos preços do combustível de aviação, embora descrita como pontual, acende um alerta para os passageiros e para a economia, projetando um impacto financeiro adicional superior a US$ 700 milhões para a companhia apenas no segundo trimestre e levantando preocupações sobre a sustentabilidade do setor.

Ajustes como este se traduzem em menos opções para viajantes e, invariavelmente, pressionam os preços das passagens, impactando diretamente o planejamento de famílias e empresas que dependem da malha aérea. O presidente-executivo da Latam Brasil, Jerome Cadier, classificou os cortes como "pontuais", reflexo direto do encarecimento do querosene e da atual estrutura de preços dos bilhetes. Ele ressaltou que, até o momento, abril e maio não registraram cancelamentos de peso, mas advertiu para a possibilidade de antecipar revisões para o terceiro e quarto trimestres caso o conflito no Oriente Médio persista.

Cadier detalhou a gravidade da situação financeira: a Latam Brasil paga, hoje, o dobro por cada litro de combustível em comparação com fevereiro deste ano. Este aumento acumulado, de cerca de 100% nos últimos três meses, impõe um desafio colossal à gestão da empresa e, por extensão, ao custo final das passagens.

O impacto já se manifesta nos resultados do grupo. Apesar de um lucro líquido robusto de US$ 576 milhões no primeiro trimestre e o transporte de 22,9 milhões de passageiros – um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior –, a Latam evidenciou que os custos adicionais com combustível já somaram cerca de US$ 40 milhões neste período. A volatilidade do mercado levou a empresa a revisar suas projeções para 2026, estimando um ebitda ajustado entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

Para mitigar esses efeitos, a companhia planeja implementar uma série de medidas. Entre elas estão novos ajustes de capacidade, rigoroso controle de custos e uma gestão de receitas otimizada, além de garantir uma liquidez acima de US$ 4 bilhões. A Latam, contudo, assegurou que, apesar do cenário de preços elevados, não há risco de desabastecimento nas localidades onde opera.

*Com informações da Reuters.

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