PRAGA ATACA PLANTAÇÕES

Lagartas devastam plantações de milho em Fernando de Noronha; apenas um agricultor garante safra junina

Agricultor Josinaldo Dantas colhendo espigas de milho em sua plantação em Fernando de Noronha.
Josinaldo Dantas, o único agricultor a conseguir colher milho para as festas juninas em Fernando de Noronha.

Infestação de lagartas compromete a produção anual em Fernando de Noronha, afetando a tradição das festas juninas. Apenas um produtor conseguiu salvar parte da colheita para abastecer o mercado local.

{ "blocks": [ { "type": "paragraph", "data": { "text": "A safra de milho destinada às festas juninas em Fernando de Noronha sofreu um duro golpe. Uma infestação severa de lagartas devastou grande parte das plantações, comprometendo a produção deste ano e reduzindo drasticamente a oferta do produto, essencial para as celebrações de São João. Apenas um agricultor da ilha conseguiu manter sua produção para abastecer o mercado local." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Segundo a presidente da Associação dos Agricultores de Noronha e bióloga Lourdes Sampaio, a lagarta representa uma das pragas mais desafiadoras para os produtores locais. A introdução desses insetos na ilha ocorre frequentemente através de alimentos transportados do continente. "Duas espécies de lagarta chegam à ilha dentro de alimentos, principalmente no próprio milho. Quando esses insetos chegam em Fernando de Noronha, muitas vezes são descartados no lixo. As lagartas que sobrevivem colocam ovos no meio ambiente e iniciam um novo ciclo. Tivemos um aumento significativo da quantidade de lagartas nas lavouras de Noronha", explicou Lourdes Sampaio." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O impacto na produção foi severo para diversos agricultores. Walfredo do Nascimento Morais, que esperava colher cerca de 500 espigas, conseguiu salvar pouco mais de 100. "Quando o milho está em fase de crescimento, a lagarta ataca. Este foi um dos piores anos. Ela apareceu em grande quantidade e comeu quase tudo. Consegui colher milho apenas para o consumo da minha família", relatou." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "José Ambrósio também enfrentou perdas significativas. "Plantei 40 quilos de sementes e esperava uma boa produção. Mas as lagartas devoraram tudo. Infelizmente, não tive produto para abastecer o mercado local durante as festas juninas", lamentou." } }, { "type": "heading", "data": { "level": 2, "text": "Combate à praga" } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Em meio à devastação, o agricultor Josinaldo Dantas conseguiu proteger sua plantação e iniciar a colheita nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, esperando reunir cerca de 10 mil espigas. Sua estratégia incluiu manter o roçado limpo e o uso de óleo de neem, um controlador natural de pragas. "Quando a lagarta aparece, a gente aplica o óleo e ela desaparece", afirmou." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Lourdes Sampaio complementou que a calda bordalesa é uma alternativa orgânica permitida para o controle de pragas e doenças. "A calda bordalesa pode ser utilizada no manejo da plantação. Outra alternativa é usar cinza de madeira misturada com detergente neutro e um pouco de bicarbonato. É um processo trabalhoso, mas pode ajudar a eliminar os ovos e reduzir a presença das lagartas", detalhou." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Apesar dos desafios, a produção de Josinaldo Dantas, vendida a R$ 5 a espiga, garante o abastecimento local para as celebrações juninas. "O verde representa esperança. Esse é o milho para consumir no dia do jogo do Brasil, na quarta-feira (24). No São João, o certo é comer milho assado e assistir à turma correndo atrás da bola", disse Josinaldo." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Moradores locais celebram a disponibilidade do milho, mantendo viva a tradição junina. "O milho é de Noronha e está muito bom. Vou fazer canjica e assar algumas espigas. No São João, milho é indispensável", comentou a camareira Marluce Silva. O condutor de visitantes Lupércio Souza concordou: "O preço é um pouco alto, mas estamos em Fernando de Noronha. Festa junina combina com milho, e o produto está com boa qualidade". Antônio Cordeiro, outro condutor, reforçou a importância cultural: "O milho chegou na hora certa. Não podemos passar o São João sem canjica, pamonha e milho cozido. Faz parte da tradição", declarou." } } ] }

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