ELEIÇÕES E TECNOLOGIA
Kassio Nunes Marques foca em IA e controle de pesquisas no TSE
Gestão de Kassio Nunes Marques enfrenta resistências internas e críticas do setor ao tentar ampliar a fiscalização de institutos de pesquisa e o uso de IA.
O ministro Kassio Nunes Marques, na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), definiu como prioridades de sua gestão o endurecimento na fiscalização de pesquisas eleitorais e a preparação da Corte para enfrentar desafios impostos pela IA. As diretrizes foram estabelecidas desde que o magistrado assumiu o comando do Tribunal, em maio, visando ampliar o controle sobre levantamentos de intenção de voto e o julgamento de conteúdos manipulados.
O impasse sobre as pesquisas
A proposta central de criar um "selo de qualidade" para institutos de pesquisa perdeu fôlego após enfrentar resistência de colegas de Corte e de entidades como a Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e a Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais). Especialistas alertam que o controle excessivo pode limitar a liberdade metodológica e encarecer o acesso da população a dados eleitorais. Diante do cenário, o presidente do TSE optou por uma estratégia mais cautelosa: o detalhamento minucioso nos registros de pesquisas sobre perfis de entrevistados.
O foco do tribunal está agora no julgamento do caso AtlasIntel, que teve sua divulgação suspensa liminarmente pelo ministro em junho, após contestação do PL. O pleito, que analisava a competitividade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segue sob análise do plenário. Com o julgamento interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, a decisão final deve ocorrer em agosto. Nunes Marques busca consolidar maioria, contando com o apoio de André Mendonça e Dias Toffoli (STF) e Villas Bôas Cueva (STJ), enquanto o desfecho permanece incerto.
Fortalecimento contra desinformação
Paralelamente, o TSE intensificou sua estratégia de combate à desinformação por meio de IA. Nesta semana, a Corte orientou os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) a estabelecerem parcerias técnicas com instituições especializadas em perícia digital. O objetivo é dotar a Justiça Eleitoral de maior capacidade técnica para identificar materiais manipulados, promovendo segurança jurídica e reduzindo disparidades de julgamentos entre as unidades regionais.
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