VIOLÊNCIA POLICIAL EXPOSTA
Justiça Militar condena PMs por tortura após roleta-russa com adolescentes na Zona Leste de São Paulo
Imagens de câmeras corporais revelaram tortura psicológica e desvio de drogas. Decisões judiciais foram proferidas em 15 de julho de 2026.
A condenação de agentes da Polícia Militar ocorreu após a revelação de agressões e tortura psicológica contra dois adolescentes, evidenciadas por gravações de câmeras corporais em uma operação na Favela da Caixa D'Água, na Zona Leste de São Paulo. A decisão do Tribunal de Justiça Militar, proferida nesta segunda-feira, 20/07/2026, marca um ponto decisivo no combate a abusos cometidos sob o pretexto de policiamento, reforçando a importância da tecnologia na fiscalização da conduta de servidores públicos.
O caso, ocorrido em fevereiro de 2025, expôs métodos brutais, incluindo a prática de "roleta-russa" com armas de fogo apontadas para as vítimas. As imagens, recuperadas durante auditoria de rotina, mostram o sargento Amauri dos Santos e o cabo Sandro Nascimento em ações que violaram direitos humanos fundamentais. Além da tortura, a investigação apontou invasões domiciliares sem mandado judicial e o desaparecimento de substâncias apreendidas durante a incursão na Zona Leste de São Paulo.
A promotora de Justiça Militar, Giovana Ortolano Guerreiro, destacou a gravidade da tortura psicológica imposta aos jovens. "A roleta russa é o expediente que se utiliza exatamente para torturas psicológicas. Se a munição alimentar a arma, dispara e o sujeito morre", afirmou. A promotoria ressaltou que as provas digitais foram essenciais para desconstruir versões defensivas dos acusados, que alegaram tratarem-se de armas de plástico ou lixo.
Na decisão do Tribunal de Justiça Militar em 15 de julho de 2026, o sargento Amauri dos Santos foi sentenciado a 12 anos e 5 meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. O cabo Sandro Nascimento recebeu a pena de 4 anos e 10 meses em regime semiaberto. O processo contra outros seis policiais, incluindo o soldado Eduardo Uchoa, segue em trâmite na Justiça.
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