ESCALADA DE VIOLÊNCIA
Guerra da Ucrânia registra maior índice de mortes de civis desde 2022
Dados do Acled apontam que o número diário de óbitos atingiu 21 nas primeiras três semanas de julho, refletindo o acirramento das ofensivas aéreas entre Rússia e Ucrânia.
A violência na Guerra da Ucrânia atingiu um patamar crítico em 2026, consolidando-se como o período com a maior média diária de ataques desde o início do conflito. Nas três primeiras semanas de julho, o índice de mortes de civis chegou a 21 por dia, um crescimento expressivo que remonta ao cenário de março de 2022, logo após a invasão russa.
Os dados foram consolidados pelo Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), que monitora fontes abertas. Até o dia 23 de julho, o registro contabilizou 2.369 civis mortos em ambos os lados, o que representa 78% do total registrado em todo o ano de 2025. A ONU ressalta que as estatísticas oficiais são estimadas e que a realidade em campo pode ser ainda mais severa.
O impacto sobre a população civil é um reflexo direto do endurecimento das táticas de combate. Kiev expandiu o uso de drones e mísseis próprios, enquanto Moscou intensificou suas campanhas aéreas, impactando infraestruturas críticas e centros logísticos, como os depósitos da Wildberries atingidos na terça-feira (4).
A situação é agravada pelo esgotamento das defesas aéreas ucranianas e pela estagnação diplomática. O pleito de Volodimir Zelenski por mais mísseis de interceptação, discutido com Donald Trump na semana passada, enfrenta obstáculos devido ao foco dos EUA no conflito no Oriente Médio, que envolve Irã e Israel.
Enquanto as negociações falham, a vida cotidiana da população torna-se cada vez mais vulnerável. Relatos de ataques a alvos urbanos, como o ocorrido na madrugada de quarta-feira (5) em Kiev, reforçam o drama humanitário de um conflito que, mesmo com a alternância de frentes de batalha — como a incursão em Kursk —, mantém civis como as principais vítimas da escalada bélica.
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