DECISÃO DA JUSTIÇA
Justiça Federal libera audiência da ANP sobre preços abusivos de combustíveis
Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspende liminar que impedia consulta pública sobre critérios de preços abusivos. Medida visa evitar impacto do mercado internacional na economia.
A Justiça Federal autorizou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a realizar sua audiência pública sobre critérios para identificar preços abusivos de combustíveis. A decisão, comunicada neste domingo, 14/06/2026, pelo desembargador federal Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), atende a um recurso da própria agência e reverte uma liminar que havia suspendido o processo.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) havia obtido a suspensão inicial, contestando o prazo de cinco dias estabelecido pela ANP para recebimento de contribuições à consulta pública. O objetivo da consulta era regulamentar a nova infração administrativa relacionada à elevação injustificada de preços dos combustíveis.
Ao analisar o recurso da ANP, Néviton Guedes considerou que a redução do prazo para cinco dias foi uma decisão administrativa com motivação clara. Ele destacou a necessidade de cumprir medidas provisórias do governo e a urgência em mitigar os efeitos da volatilidade do mercado internacional de petróleo, visando proteger a economia e garantir o abastecimento.
O magistrado fundamentou sua decisão ao afirmar que a legislação e o regimento interno da ANP permitem a abreviação do prazo usual de 45 dias para consultas públicas, desde que haja urgência e relevância devidamente justificadas. Os elementos apresentados pela agência, segundo Guedes, afastaram a principal alegação utilizada para suspender a audiência.
Néviton Guedes reforçou que a esfera judicial não deve substituir a avaliação da Administração Pública sobre a adequação das medidas tomadas diante de uma crise internacional. Ele ressaltou que é de conhecimento geral o impacto direto do conflito na região do Golfo Pérsico sobre os preços do petróleo e o mercado global.
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