DELEGADO DA PF CONDENADO

Justiça Federal do Rio condena delegado da PF a mais de 10 anos de prisão por corrupção

Foto em destaque de Lorenzo Martins Pompílio da Hora, delegado da Polícia Federal.
Delegado da PF Lorenzo Martins Pompílio da Hora foi condenado em 12 de junho de 2026.

Lorenzo Martins Pompílio da Hora recebeu um carro de R$ 70 mil como propina para interferir em investigação policial. Pena é de 10 anos e 6 meses em regime fechado.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, condenou o delegado da Polícia Federal (PF) Lorenzo Martins Pompílio da Hora a 10 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. A decisão, que considera os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, impacta diretamente a credibilidade da instituição ao expor um agente público em situação de ilícito. O caso, desdobramento da Operação Tergiversação, expõe um esquema que prometia favorecimento e interferência em investigações policiais em troca de dinheiro, movimentando cerca de R$ 10 milhões em propinas ao longo de quatro anos.

No centro da condenação está o recebimento de um veículo Ford Fusion Titanium, avaliado em aproximadamente R$ 70 mil em 2017, como propina. A investigação aponta que o delegado usou sua influência para interferir em uma apuração policial, prometendo o encerramento de investigações conduzidas pela Corregedoria da PF. O advogado Marcelo Guimarães, acusado de oferecer o veículo, e o motorista Luis Henrique do Nascimento Almeida foram condenados a três anos de reclusão, com as penas convertidas em prestação de serviços à comunidade devido a acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

O esquema investigado, atuante entre 2013 e 2017, abordava empresários sob investigação para exigir pagamentos em troca de vantagens indevidas. Segundo a denúncia do MPF, Lorenzo Martins Pompílio da Hora teria recebido cerca de um sexto do total de R$ 10 milhões movimentados. A ocultação do veículo recebido como propina envolveu o registro em nome da mãe de Luis Henrique, utilizada como “laranja”, e posterior transferência para a esposa do delegado, configurando lavagem de dinheiro.

Na sentença, a juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, ressaltou as contradições no interrogatório do delegado e a ausência de provas que comprovassem a aquisição lícita do automóvel. A magistrada enfatizou que os crimes demonstram “verdadeira incapacidade moral para o exercício da função pública”, especialmente em um agente encarregado de combater irregularidades. A decisão também determinou a perda do cargo público. Lorenzo Martins Pompílio da Hora chegou a ser preso em junho de 2019 pela própria PF, no âmbito da Operação Tergiversação, mas foi liberado uma semana depois. Ele também participou da equipe da PF que acompanhou o depoimento do policial militar Rodrigo Ferreira, no caso dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A decisão, no entanto, ainda cabe recurso, mantendo a possibilidade de reanálise judicial.

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