DECISÃO HISTÓRICA

Justiça Eleitoral do Ceará condena Ciro Gomes por violência política de gênero contra prefeita de Crateús, Janaína Farias

Janaína Farias, prefeita de Crateús, sorrindo.
Prefeita de Crateús, Janaína Farias, celebrou a condenação como uma vitória das mulheres.

Ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) é condenado a penas alternativas por comentários misóginos. Ele pode recorrer.

A Justiça Eleitoral do Ceará tomou uma decisão nesta segunda-feira, 18/05/2026, condenando o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) pelo crime de violência política de gênero. A condenação ocorreu devido a uma série de comentários feitos contra a atual prefeita de Crateús, Janaína Farias, enquanto ela exercia o cargo de suplente de senadora pelo Ceará. A decisão judicial representa um marco importante no combate à misoginia e na proteção da dignidade de mulheres na política, pois visa coibir discursos que desqualificam e humilham as candidatas e detentoras de mandato, impactando diretamente a participação feminina no espaço público. A sentença, proferida pelo juiz Edson Feitosa dos Santos, da 115ª Zona Eleitoral de Fortaleza, impôs a Ciro Gomes pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, que foi convertida em cumprimento de penas alternativas. O ex-ministro deverá pagar 20 salários-mínimos a Janaína Farias e 50 salários-mínimos a entidades de proteção dos direitos das mulheres no Ceará. Essa substituição da pena privativa de liberdade por medidas reparatórias visa não apenas punir o infrator, mas também promover um impacto social positivo, incentivando o apoio a causas femininas. A prefeita Janaína Farias celebrou a condenação, classificando-a como uma "vitória das mulheres". Em nota, ela declarou: “A Justiça acaba de condenar o sr. Ciro Gomes por violência política de gênero. Fui a vítima, assim como tantas mulheres neste país, e a decisão é um alento. Não podemos relativizar a misoginia jamais. Informo que o valor que ele terá que pagar, 70 salários mínimos, doarei integralmente às entidades ligadas à proteção dos direitos das mulheres”. Sua fala ressalta a importância de tais decisões para o encorajamento de outras mulheres que sofrem assédio e discriminação. Em sua defesa, Ciro Gomes afirmou acreditar que "as instâncias superiores saberão fazer justiça e analisar o caso fora do calendário de interesses eleitorais", indicando sua intenção de recorrer. Ele é pré-candidato ao governo do Ceará e as declarações que o levaram à condenação foram proferidas entre abril e maio de 2024, pouco após Janaína assumir como senadora. Na ocasião, Ciro a chamou de "cortesã", acusou-a de "organizar as farras" e de ser "assessora para assuntos de cama" do senador Camilo Santana (PT). O Ministério Público Eleitoral (MPE) do Ceará abriu o processo em julho de 2024, acusando Ciro de perseguição política. A denúncia apontava um alvo constante na figura de Janaína Farias, com "discursos agressivos e persistentes". Em setembro de 2025, a Advocacia do Senado chegou a solicitar a prisão preventiva de Ciro Gomes por esses ataques, mas o pedido foi negado pela Justiça Eleitoral. Naquele momento, Ciro foi proibido de fazer referências difamatórias à prefeita, sob pena de multa. A decisão judicial considerou que as declarações de Ciro Gomes configuram violência política de gênero, conforme o artigo 326-B do Código Eleitoral. O juiz destacou que, mesmo que o objetivo final fosse atingir Camilo Santana, as falas "acabaram por atingir em cheio a reputação da ofendida, deslegitimando o exercício de seu mandato". A sentença de primeira instância permite recurso, e Ciro Gomes poderá recorrer em liberdade, mantendo-se a proibição de novas referências difamatórias contra Janaína Farias.

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