CAMPANHA E FÉ

Eleições 2026: 404 candidatos utilizam identificação religiosa nas urnas

Urna eletrônica em destaque simbolizando o pleito eleitoral de 2026.
Candidatos buscam identificação religiosa para atrair eleitores em pleito nacional.

Dados registrados no TSE revelam que a maior parte dos pleiteantes busca o Legislativo, com 96% das candidaturas focadas em vagas estaduais, distritais e federais.

Ao menos 404 candidatos nas eleições de 2026 adotaram identificações religiosas em seus nomes de urna, conforme registros consolidados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A estratégia reflete uma movimentação política onde a fé deixa de ser apenas uma convicção pessoal para se tornar um pilar central na construção de plataformas de campanha e na busca por representatividade no Legislativo.

Entre os perfis identificados, 295 candidatos — 73% do total — utilizam termos como pastor, pastora ou a sigla PR. O uso de denominações como 'irmão' ou 'irmã', frequentes em comunidades evangélicas e católicas, compõe 10,5% do grupo. Religiões de matriz africana, representadas por nomes de orixás ou pelas nomenclaturas 'pai' e 'mãe', somam 7% dos casos. A lista inclui ainda bispos, padres, apóstolos, reverendos e freis, demonstrando a diversidade de vertentes que buscam ocupar cadeiras eletivas.

Segundo Emanuel Freitas, pesquisador da Universidade Estadual do Ceará, o fenômeno extrapola os números oficiais, visto que muitos políticos com forte trânsito em segmentos religiosos, como Michelle Bolsonaro (PL), não inserem títulos em seus nomes de urna. A análise aponta para a politização da identidade religiosa: 'Existe a oferta de candidatos que mobilizam a agenda religiosa como essencial para a proposição de candidaturas, à medida que se politizou a identidade religiosa', observa o especialista.

O impacto prático dessa tendência concentra-se no Legislativo. Cerca de 96% desses candidatos disputam cadeiras de deputado estadual, distrital ou federal. O MDB lidera a lista de partidos com maior número de candidatos utilizando esses títulos, seguido por Republicanos e DC. Regionalmente, Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco lideram a incidência. Embora o uso do título seja expressivo, a ocupação formal de 'sacerdote ou membro de ordem religiosa' foi declarada por apenas 35 dos 404 candidatos analisados.

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