JUSTIÇA FEITA
Justiça do Piauí condena ex-PMs por morte de Emilly Caetano, 9 anos
Sentença chega após mais de sete anos; um dos agentes recebeu 97 anos de prisão e outro foi preso por fraude processual.
A Justiça do Piauí proferiu sentença condenatória contra dois ex-policiais militares nesta sexta-feira, 01 de maio de 2026, encerrando um longo processo sobre a morte de Emilly Caetano Costa, de 9 anos, ocorrida em Teresina. A decisão, que responsabiliza os agentes por metralhar o carro onde a criança estava com a família na noite de Natal de 2017, representa um passo crucial na busca por justiça para a família e na responsabilização de agentes públicos.
Após mais de sete anos de espera, o veredito do tribunal condenou Aldo Luís Barbosa Dornel a 97 anos de prisão, além de dois anos e oito meses por fraude processual. Ele foi considerado culpado pela morte de Emilly e por quatro tentativas de homicídio contra os pais da menina e outras vítimas que estavam no veículo. O crime abalou a capital piauiense e expôs a fragilidade da segurança pública.
Francisco Venício Alves, o outro ex-policial, recebeu pena de dois anos e três meses de detenção, mais multa, por fraude processual. Ele foi acusado de alterar a cena do crime antes da chegada da perícia, tentando encobrir as evidências. A Justiça também determinou a perda da farda, simbolizando a desonra de seu papel. Francisco Venício Alves foi detido ainda no plenário após a leitura da sentença.
A noite que virou tragédia
A tragédia aconteceu em 25 de dezembro de 2017, uma noite de Natal, na movimentada Avenida João XXIII, na Zona Leste de Teresina. Emilly, então com 9 anos, viajava com seus pais e um bebê de apenas oito meses quando o carro da família foi alvo de uma perseguição policial. Os agentes suspeitavam, sem qualquer confirmação, que o veículo estivesse envolvido em assaltos.
Sem aviso, os policiais abriram fogo contra o carro. Emilly foi atingida nas costas por um dos disparos. Seus pais também foram feridos, mas sobreviveram, enquanto o bebê, por sorte, saiu ileso. A menina foi socorrida e levada às pressas ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), mas, apesar dos esforços médicos, não resistiu aos graves ferimentos, falecendo poucas horas depois.
Fim de uma longa espera
A condenação encerra um período de angústia e luta por parte da família de Emilly. O julgamento reconheceu a desproporcionalidade da ação policial e a gravidade dos crimes cometidos, incluindo o assassinato da criança e as tentativas de ceifar outras vidas. A comprovação da tentativa de alterar a cena do crime também sublinhou a gravidade da conduta dos envolvidos, reforçando a necessidade de uma Justiça implacável contra abusos de poder.
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