DECISÃO JUDICIAL
Justiça de São Paulo nega absolvição sumária de coronel acusado de matar esposa PM
Magistrada rejeita pedido da defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso pela morte da policial militar Gisele Santana. Justiça autoriza novas provas e incorporação de inquérito militar ao processo.
A Justiça de São Paulo decidiu, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, negar o pedido de absolvição sumária feito pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O militar está preso sob acusação de assassinar a esposa, a policial militar Gisele Santana, com um tiro na cabeça. A magistrada Michelle Porto de Medeiros também rejeitou o pedido de nulidade do Inquérito Policial Militar, argumentando que uma análise aprofundada das provas e dos fatos só pode ocorrer na sentença, após a apresentação de testemunhos e evidências. Esta decisão é crucial pois avança o processo contra o acusado e mantém a possibilidade de justiça para a vítima e sua família, além de permitir a coleta de novas provas, como imagens de câmeras e registros digitais, que auxiliarão no julgamento.
A juíza Michelle Porto de Medeiros afirmou que, neste momento inicial, não cabe um julgamento definitivo sobre a culpa ou inocência do réu. A análise aprofundada, segundo a magistrada, deve ser reservada para a sentença, após a oitiva de testemunhas e a apresentação de todas as provas cabais. A Justiça também negou a devolução de celulares apreendidos e autorizou a coleta de novas evidências, incluindo imagens de câmeras de segurança e registros de serviços digitais. O inquérito policial militar foi incorporado aos autos principais do processo, com o objetivo de auxiliar no julgamento.
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro de 2026, no apartamento que dividia com o marido, no Brás, região central de São Paulo.
- Socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, Gisele Santana faleceu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico causado por disparo de arma de fogo, conforme atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. Contudo, a investigação posterior alterou a classificação para morte suspeita, com "dúvida razoável" sobre a ocorrência de suicídio.
- Com a análise de perícias e a reconstituição dos acontecimentos no imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não condizia com a hipótese inicial de suicídio.
- Com base nesses elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- Em 17 de março de 2026, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido seguiu a conclusão, baseada em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 18 de março de 2026. Ele foi detido no mesmo dia em um condomínio residencial em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
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