DECISÃO EM TJPE
Justiça de Pernambuco mantém pena de prisão para Sari Corte Real no caso Miguel
Recurso da ex-primeira-dama de Tamandaré, Sari Corte Real, que buscava reduzir sua pena por abandono de incapaz que resultou na morte do menino Miguel Silva, foi rejeitado. Ela ainda pode recorrer em liberdade.
A Seção Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) rejeitou, por maioria, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, o recurso apresentado pela defesa de Sari Corte Real, ex-primeira-dama de Tamandaré. A decisão impacta diretamente a pena de 7 anos de reclusão em regime inicial fechado imposta a ela pelo crime de abandono de incapaz, que culminou na morte do menino Miguel Silva, de 5 anos. A condenação original ocorreu em junho de 2022, pelo fato registrado em 2020, no Recife. Sari, porém, segue em liberdade enquanto aguarda possíveis novos recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O julgamento do recurso, intitulado embargos infringentes, visava a redução da pena imposta. A discussão no TJPE terminou em empate, com 5 votos a favor e 5 contra, sendo necessário o voto de minerva do presidente da Seção Criminal, desembargador Mauro Alencar de Barros, para desempatar a sessão e decidir pela rejeição do recurso. A divergência central entre os desembargadores residiu em definir se a idade da vítima, Miguel, com apenas 5 anos à época do crime, deveria ser considerada um agravante ou se a sua condição de incapaz já englobava essa fragilidade.
O relator do recurso, desembargador Evandro Magalhães, inicialmente votou pela diminuição da pena para 6 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto. Ele argumentou que a tenra idade da vítima já estaria incluída na conceituação de incapaz. Seus votos foram acompanhados pelos desembargadores Daisy Andrade, Marcos Antônio Matos de Carvalho, Demócrito Ramos Reinaldo Filho e Carlos Gil Rodrigues Filho. No entanto, o desembargador revisor, José Viana Ulisses Filho, divergiu e defendeu a manutenção integral da pena original de 7 anos de reclusão em regime fechado. Essa posição foi endossada pelos desembargadores Honório Gomes do Rego Filho, Eduardo Guilliod Maranhão, Eudes França e Cláudio Jean Nogueira Virgínio, que, com seu voto, selaram a rejeição do recurso.
A mãe do menino Miguel, Mirtes Renata, que acompanhou o julgamento atentamente, manifestou sua posição nas redes sociais, reiterando seu compromisso com a busca por justiça. "A gente vai continuar cobrando justiça. Peço a vocês que continuem de mãos dadas comigo, que continuem cobrando ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, que a justiça pela morte do meu filho seja feita", declarou, mobilizando seu apoio e o da sociedade.
O trágico evento remonta a 2020, quando Miguel Silva, de apenas 5 anos, perdeu a vida. Mirtes Renata, empregada doméstica de Sari Corte Real, deixou o menino sob responsabilidade da patroa para passear com o cachorro da família. Miguel, então, dirigiu-se sozinho ao elevador do prédio onde morava, no Recife. Câmeras de segurança registraram o momento em que Sari Corte Real teria acionado o botão do elevador para a criança. Miguel subiu sozinho até o nono andar e, de onde veio a cair, resultando em sua morte.
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