MORTE EM ATIVIDADE DE RISCO
Justiça converte prisão de instrutores de rope jump em Limeira para preventiva após morte de jovem
Instrutores respondem por homicídio com dolo eventual após falha em equipamento de segurança que causou a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. Justiça avalia responsabilidade.
A Justiça converteu a prisão em flagrante dos três instrutores responsáveis pela atividade de rope jump em Limeira (SP) para prisão preventiva. A decisão, tomada nesta terça-feira, 16/06/2026, após análise dos elementos apresentados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, considera o caso como homicídio com dolo eventual. A medida visa garantir a ordem pública e a instrução criminal durante a investigação que apura as circunstâncias da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida no último sábado (13). Segundo os autos, a jovem foi lançada da Ponte do Esqueleto sem a conexão da corda principal de segurança. A investigação aponta para possíveis falhas nos protocolos adotados durante a prática de alto risco. O dolo eventual, em termos jurídicos, ocorre quando o agente não deseja diretamente o resultado morte, mas assume o risco de que ele aconteça ao realizar a conduta, diferentemente da negligência, em que o resultado não é desejado, mas poderia ser previsto e evitado com os cuidados necessários. A decisão judicial ressalta a importância de procedimentos de segurança rigorosos em atividades de risco para prevenir acidentes. A conversão da prisão em flagrante para preventiva ocorre em um momento crucial da investigação, permitindo que as autoridades aprofundem a apuração sem interferências e garantam a integridade do processo. Paralelamente, a Polícia Civil investiga o desaparecimento de uma câmera que estaria com a vítima no momento do salto. Depoimentos de testemunhas indicam que um integrante da equipe teria retirado o equipamento após a queda, e a câmera não foi localizada até o momento. O objetivo é verificar se o dispositivo registrou imagens que possam auxiliar na reconstrução dos fatos e na identificação de falhas operacionais. Relatos colhidos pela polícia também apontam que os operadores não conseguiram explicar como a conexão da corda principal falhou e que os procedimentos de verificação de segurança, habitualmente realizados antes dos saltos, não teriam ocorrido. A investigação busca esclarecer todas as omissões e ações que levaram à trágica ocorrência. Maria Eduarda participava de uma modalidade de rope jump conhecida como “aviãozinho”, onde o praticante é guiado e lançado pelos instrutores. O inquérito policial, conduzido pela Delegacia Seccional de Limeira, seguirá para determinar o enquadramento legal final dos fatos, que pode variar entre homicídio com dolo eventual, homicídio culposo ou outra tipificação prevista no Direito Penal.
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