DECISÃO JUDICIAL

Justiça concede liberdade provisória a delegado da Polícia Civil

Carro do delegado Bruno França após disparos de arma de fogo
Carro do delegado Bruno França após disparos de arma de fogo

Bruno França é afastado do cargo e tem porte de arma suspenso após audiência de custódia nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. Ele responde por tentativa de homicídio.

A Justiça concedeu liberdade provisória ao delegado Bruno França nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, após audiência de custódia. Ele também foi afastado do cargo público e teve o porte de arma suspenso por decisão judicial, atendendo a um pedido da Corregedoria da Polícia Civil. A medida, que estabelece condições cautelares, busca equilibrar a apuração dos fatos com o reconhecimento de um quadro de saúde mental fragilizado, impactando a carreira do servidor e levantando discussões sobre o apoio psicológico a profissionais de segurança.

Bruno França havia sido autuado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, dois dias depois de ele próprio sofrer um ataque a tiros. O juiz responsável pela decisão homologou o auto de prisão em flagrante e concedeu a liberdade provisória ao investigado, mediante o cumprimento de medidas cautelares rigorosas. Entre as determinações, ele deve manter distância mínima de 200 metros das vítimas e testemunhas, além de estar proibido de frequentar a Delegacia de Sorriso e estabelecimentos como bares e boates. O delegado permanece internado em uma unidade hospitalar, sob custódia.

Um grito de socorro em meio à tensão

A defesa do delegado França revelou que ele vinha atravessando um período de “grave sofrimento psicológico” nos últimos dois meses. Essa condição, segundo os advogados, foi precipitada por uma crise familiar de alta complexidade e pelo peso acumulado de anos de trabalho em Sorriso, uma cidade marcada pela intensa atuação de facções criminosas. “Essa combinação de fatores gerou uma deterioração progressiva de sua saúde mental, reconhecida e acompanhada de perto por sua família. Os fatos que resultaram na lavratura do Auto de Prisão em Flagrante são inequivocamente reflexo desse quadro de stress”, diz trecho da nota de defesa.

O incidente que levou à autuação do delegado ocorreu após ele ser baleado pelo investigador Roberto Pinto Ribeiro. Em seu depoimento à Polícia, o investigador afirmou que vinha sendo ameaçado por Bruno França e que o delegado teria ido até a casa dele, onde os disparos foram feitos. A defesa de França argumenta que, no momento da ocorrência, ele “não estava no pleno exercício de suas faculdades mentais”. Segundo os advogados, a própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso mencionou preocupação com a condição psicológica do delegado ao afastar a necessidade de prisão preventiva, reconhecendo o contexto de saúde mental. Os advogados informaram que solicitaram à Justiça o acompanhamento psicológico do delegado, além do afastamento temporário do cargo e da suspensão do porte de arma, medidas que foram aceitas pelo Judiciário.

Detalhes da investigação e atendimento

De acordo com a Polícia Civil, as equipes encontraram o investigador Roberto Pinto Ribeiro armado no local do incidente, apresentando sinais de nervosismo. Durante a abordagem, ele entregou uma pistola e outras armas que estavam em sua posse. Foi ouvido e liberado em seguida. Após ser atingido, Bruno França buscou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, onde recebeu os primeiros socorros, sendo posteriormente transferido para um hospital particular da cidade.

A Polícia Civil informou que o delegado está sendo monitorado pela Corregedoria da instituição até receber alta. “O delegado de polícia segue hospitalizado e sem risco de vida, não sendo possível até o momento, o seu interrogatório formal. A Corregedoria-Geral segue com o trabalho de apuração”, esclareceu a polícia. O investigador Roberto Pinto Ribeiro, apontado como autor dos tiros, foi ouvido e liberado, enquanto Bruno França, mesmo após a prisão, permanece sob custódia hospitalar devido à sua condição de saúde.

Relembre o caso: Exoneração prévia

Em março de 2026, Bruno França havia sido exonerado do cargo de chefia da Delegacia de Sorriso. A decisão, assinada pelo governador Mauro Mendes (União) e publicada no Diário Oficial do estado, transferiu a titularidade da delegacia para a delegada Layssa Crisostómo. Bruno França permaneceu como delegado na unidade, mas sem a função de chefe. Embora a Polícia Civil tenha explicado a mudança como “questões administrativas”, a medida ocorreu um mês após uma detenta relatar ter sido estuprada dentro da delegacia da cidade, levantando questionamentos sobre a gestão da unidade à época.

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