GOLPE FINANCEIRO
Justiça bloqueia R$ 429 milhões ligados à facção Tren de Aragua em investigação da Polícia Civil de Roraima
Ação 'Rota do Norte' mira núcleo de lavagem de dinheiro da organização venezuelana. Congelamento visa desarticular estrutura criminosa e impactar operações ilícitas, como tráfico de drogas e armas.
A Justiça de Roraima determinou, no último dia 16 de junho de 2026, o bloqueio de R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros. A decisão, tomada pela Polícia Civil de Roraima durante a operação "Rota do Norte", visa desarticular a estrutura financeira da facção criminosa venezuelana Tren de Aragua. O bloqueio atinge diretamente o núcleo responsável pela movimentação, ocultação e lavagem de recursos obtidos por meio de atividades criminosas, como tráfico de drogas e de armas internacionais, impactando a capacidade da organização de sustentar suas operações ilícitas e manter sua atuação.
A investigação identificou 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar o esquema financeiro da facção. A Tren de Aragua é investigada por abastecer o Comando Vermelho com armas adquiridas nos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela. Segundo as apurações, Roraima servia como rota de entrada e distribuição de armamentos destinados a integrantes do grupo criminoso no Amazonas e no Rio de Janeiro.
A operação foi deflagrada simultaneamente em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, com o objetivo de desarticular os braços operacional e financeiro da organização. O delegado titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), Hugo Cardias, ressaltou que o bloqueio representa um duro golpe contra a facção, minando sua capacidade de reinvestir em atividades criminosas e expandir seu alcance.
As investigações, iniciadas após a operação Kapok em novembro de 2024, revelaram que os investigados utilizavam empresas, contas bancárias, veículos de alto valor e criptomoedas para ocultar patrimônio e dissimular a origem ilícita dos recursos. Para rastrear e bloquear os ativos digitais, a polícia contou com o apoio de uma empresa de inteligência dos Estados Unidos especializada em análise de blockchain.
Até a data da notícia, 13 mandados de prisão preventiva haviam sido cumpridos nos seis estados. A ofensiva resultou na apreensão de cerca de R$ 350 mil em valores convertidos, além de US$ 48.285 e € 35 em espécie. Equipamentos como máquinas de contar dinheiro, celulares, 11 veículos de luxo (incluindo um Porsche e um Land Rover) e porções de drogas também foram confiscados. A polícia continua as buscas para cumprir os mandados restantes.
A atuação da facção em Roraima é monitorada desde 2018. Fundada em uma prisão na Venezuela, a Tren de Aragua expandiu suas atividades para países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile, com envolvimento em sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e pessoas. Os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho.
A polícia classifica a aliança entre Tren de Aragua e Comando Vermelho como uma "simbiose", motivada pelo alto poder de compra da facção brasileira e pelo acesso a armas pesadas que os venezuelanos possuem. O grupo utiliza Roraima como corredor estratégico para importar metralhadoras calibre .50, fuzis e lança-granadas dos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela, destinando o arsenal a membros do CV no Rio de Janeiro e no Amazonas.
A operação mobilizou equipes das polícias civis de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, com apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). A estratégia reforça a importância de atingir as fontes de financiamento de organizações criminosas para enfraquecer sua atuação.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário