CRIME ORGANIZADO DESMANTELADO

Justiça bloqueia R$ 101 milhões de quadrilha acusada de tráficar armas

Arma apreendida em operação policial
Arma e carro apreendidos em operação em Pernambuco

Decisão atinge grupo suspeito de venda ilegal de armas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em 9 estados. Bens incluem contas, imóveis e veículos.

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 101 milhões de uma quadrilha investigada por venda ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A decisão, que visa desarticular uma rede criminosa com atuação em nove estados brasileiros, impacta diretamente a capacidade financeira do grupo. A medida foi anunciada nesta quinta-feira, 11/06/2026, pela Polícia Civil de Pernambuco, que lidera a Operação Nesher, deflagrada para apurar as atividades ilícitas iniciadas em 2022.

Cinco pessoas foram presas e mais de R$ 101 milhões em bens foram bloqueados judicialmente. A investigação aponta que a organização criminosa movimentava recursos vultosos através de empresas, muitas delas com indícios de serem de fachada. A dignidade de quem é vítima dessa rede criminosa, seja pela violência gerada pelo tráfico de armas ou pela corrupção que enfraquece as instituições, é a principal motivação para o combate rigoroso a essas práticas.

Entre os presos está uma mulher que, segundo a polícia, utilizava uma casa de bronzeamento para lavar dinheiro. Ela é reincidente e já respondeu por homicídio, tráfico e associação criminosa. O grupo é investigado desde 2022 e sua atuação se estende por Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo.

O delegado Franklin Soriano, da Delegacia de Camaragibe, explicou que a investigação começou após a apreensão de um fuzil contrabandeado, que não possuía fabricante ou representante no Brasil. Essa descoberta revelou uma estrutura criminosa complexa, com ligações em todas as regiões do país e conexões com a tríplice fronteira. O maior volume de movimentações financeiras foi identificado em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Inicialmente focada em tráfico de drogas e armas, a organização passou a ter a lavagem de dinheiro como seu principal negócio. Empresas foram usadas para dar aparência legal a recursos ilícitos, com movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade declarada dos envolvidos. O laboratório da Polícia Civil detectou empresas registradas em nome de familiares, com expressivas movimentações financeiras, caracterizando operações suspeitas.

Os bens bloqueados pela Justiça incluem contas bancárias, imóveis e veículos. O principal alvo da quadrilha foi preso em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, portando um fuzil contrabandeado. A mulher envolvida na lavagem de dinheiro, proprietária de uma casa de bronzeamento, já havia sido capturada anteriormente por práticas semelhantes em Olinda. Seu cônjuge também é investigado por tráfico.

A decisão de bloqueio de bens é uma medida cautelar e não definitiva. Cabe recurso às partes envolvidas. A ação busca coibir a continuidade das atividades criminosas e apreender os lucros obtidos ilegalmente, com o objetivo de impactar a estrutura financeira das organizações criminosas.

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