CASO HENRY BOREL
Júri do caso Henry Borel entra na reta final; entenda próximos passos
Após oitiva de testemunhas, réus serão interrogados. Veja os próximos passos do julgamento mais longo da história do Rio de Janeiro, que pode ter o veredito entre quarta (3) e quinta-feira (4).
O julgamento do caso Henry Borel, realizado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, entra nesta terça-feira (02/06/2026) em sua reta final. Após nove dias e a oitiva de 22 testemunhas, o processo, que já se tornou o mais longo da história do estado, caminha para a definição do veredito, com expectativa de que o resultado seja anunciado entre quarta-feira (3) e quinta-feira (4).
O médico Jeferson Evangelista Correa foi o último a depor na segunda-feira (1º), a convite da defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Ele é um dos acusados pela morte do menino Henry Borel, ao lado da mãe da criança, Monique Medeiros. A acusação sustenta que a criança, aos 4 anos, morreu em decorrência de agressões perpetradas por Jairinho, com a omissão de Monique contribuindo para o desfecho trágico, motivado por laceração hepática de ação contundente.
A fase de depoimentos foi encerrada e o foco agora se volta para os interrogatórios dos réus. Uma alteração processual permitiu que Monique Medeiros prestasse depoimento antes de Jairinho, possibilitando que ela tivesse conhecimento prévio das acusações para embasar sua defesa. Ambos serão interrogados pela juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o júri, pelo promotor de acusação e pela assistência de acusação, representando os interesses de Leniel Borel, pai de Henry. Um réu não acompanha o depoimento do outro. Monique iniciou suas respostas à juíza por volta das 10h30 de terça-feira.
Próximos passos do julgamento
A quarta-feira (3) será dedicada às sustentações orais. O Ministério Público terá 1 hora e 30 minutos para apresentar a acusação, seguido pela assistência de acusação. Posteriormente, a defesa terá 1 hora e 30 minutos para expor seus argumentos. O tempo de réplica e tréplica será de 1 hora para cada parte. Como há mais de um acusado, o tempo para acusação e defesa é acrescido de 1 hora para cada, e o tempo de réplica e tréplica é dobrado, totalizando 2 horas para cada.
Após os debates, os jurados, que compõem o Conselho de Sentença, poderão solicitar esclarecimentos adicionais, ter acesso aos autos e aos instrumentos do crime. Caso seja necessária a verificação de fatos que não possam ser elucidados na hora, o juiz designará diligências cabíveis.
O Conselho de Sentença
Formado por sete jurados – cinco homens e duas mulheres –, o Conselho de Sentença representa a sociedade na decisão final. Eles respondem a quesitos sobre a materialidade, autoria e participação no crime, além de questões sobre causas de diminuição de pena, qualificadoras e desclassificação do crime. A absolvição ocorre se houver mais de três respostas negativas aos quesitos de materialidade e autoria. Em caso de condenação, a juíza Elizabeth Machado Louro definirá a dosimetria da pena.
Os jurados permanecem incomunicáveis desde o início do júri, acompanhando as sessões ininterruptamente. Durante os intervalos, ficam retidos no tribunal, impedidos de interagir entre si ou com terceiros sobre o caso, e afastados de redes sociais e noticiários. Durante os pernoites, ficam sob vigilância em um alojamento provido pelo Tribunal de Justiça do Rio. As testemunhas, embora não confinadas, foram orientadas pela juíza a não conceder entrevistas.
A votação dos jurados é sigilosa e decidida por maioria simples. A decisão final impacta diretamente a vida de Monique Medeiros e Dr. Jairinho, que aguardam o veredito sobre as acusações de homicídio e omissão, respectivamente.
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