VIOLÊNCIA NAS COMUNIDADES
Drones com explosivos intensificam guerra entre facções no Rio de Janeiro
Facções utilizam drones para lançar granadas caseiras em áreas residenciais, alterando a rotina e colocando em risco a vida de moradores e crianças.
Drones carregados com explosivos tornaram-se a mais nova ferramenta tática utilizada por grupos criminosos em territórios do Rio de Janeiro disputados por facções rivais. A escalada tecnológica transforma o cotidiano das comunidades, expondo moradores a riscos de ataques que surgem repentinamente do céu e atingem casas, carros e espaços públicos.
Registros feitos por moradores e imagens obtidas pela polícia evidenciam a letalidade desses dispositivos. Em um dos episódios documentados, uma granada foi lançada sobre uma via pública, resultando em explosões que deixaram feridos e geraram pânico generalizado entre quem reside no local. Em outro ataque, a ação foi gravada pelos próprios criminosos, mostrando o momento em que um artefato é arremessado contra um veículo em movimento.
Os artefatos, popularmente chamados de bombas tubo, são montados com peças de PVC, pólvora, parafusos e cacos de vidro. O impacto desses ataques é devastador: telhados foram destruídos, cozinhas foram atingidas e estilhaços feriram civis, incluindo crianças que brincavam nas ruas. A insegurança é tamanha que algumas facções passaram a instalar coberturas nas vias para tentar conter as investidas aéreas, medida que, segundo especialistas, também dificulta o monitoramento pelas forças de segurança.
O delegado Marcos Mota, da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (COANT), define o cenário como uma autêntica disputa de espaço aéreo. Para o policial, a adoção de tecnologias como bazucas antidrone pelos grupos criminosos demonstra que o controle tecnológico passou a ser um objetivo estratégico na guerra por território, obrigando as autoridades a buscar novas formas de antecipação e combate a essa ameaça.
Dados do Disque Denúncia indicam que a prática está em expansão, com o surgimento de ocorrências crescentes desde 2023. Enquanto a Secretaria de Segurança Pública do Rio planeja integrar tecnologias federais e criar divisões especializadas, órgãos como o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reforçam que a gestão do tema exige cooperação direta com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça para conter o uso criminoso desses equipamentos.
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