VOZ CONTRA VIOLÊNCIA

Juliana Garcia se filia ao PT para ampliar luta contra violência e enfrenta novas ameaças

Juliana Garcia durante entrevista ao Portal Diário do RN, em 13 de maio de 2026.

Ativista, que chocou o país com sua história de superação, é alvo de novas ameaças após entrada na política e se diz impulsionada a defender todas as mulheres.

Juliana Garcia, ativista e sobrevivente de uma tentativa de feminicídio que chocou o país, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 07 de maio de 2026, impulsionada pelo desejo de intensificar a luta pelos direitos das mulheres e pelo enfrentamento à violência de gênero. A decisão, que marca sua primeira afiliação partidária, desencadeou, no entanto, uma nova onda de ataques e ameaças nas redes sociais, evidenciando o perigoso cenário de polarização e misoginia enfrentado por mulheres em destaque.

Em entrevista exclusiva ao Diário do RN nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, Juliana evitou confirmar um projeto eleitoral imediato, mas admitiu que a possibilidade se tornou parte das discussões após a repercussão de sua atuação pública. "Eu prefiro não responder essa pergunta claramente agora", afirmou, ao ser questionada sobre uma eventual candidatura. Logo em seguida, revelou receber fortes estímulos para ingressar na disputa eleitoral.

Para a ativista, uma eventual entrada na política teria como foco prioritário ampliar a defesa das mulheres e combater a violência de gênero. “Caso eu me candidate e seja eleita, eu vou lutar não apenas por quem votou em mim, mas também pelas mulheres que hoje acham que eu merecia sofrer ainda mais pelo posicionamento político que escolhi ter”, declarou, demonstrando sua visão abrangente de representatividade.

Juliana Garcia ganhou projeção nacional após ser brutalmente agredida por seu ex-namorado, Igor Cabral, com 61 socos dentro do elevador do prédio onde morava, em Ponta Negra, Zona Sul de Natal, em julho de 2025. As imagens das câmeras de segurança do edifício foram amplamente divulgadas, gerando comoção e indignação em todo o Brasil. Igor Cabral permanece preso, respondendo pelo crime de tentativa de feminicídio.

Ao discutir sua entrada oficial no PT, Juliana explicou que a afinidade ideológica com o partido já existia. "Eu já tinha proximidade ideológica, sempre votei no PT. Eu era simpatizante e essa é minha primeira filiação partidária", ressaltou.

A repercussão de sua filiação foi marcada por um misto de apoio e ataques virtuais violentos, um cenário que Juliana atribui à intensa polarização política no Brasil. "Eu recebi muito ataque. Certas pessoas se sentem muito à vontade depois que o discurso de ódio foi normalizado no país", lamentou. Para a ativista, a violência que sofreu após a filiação transcende a divergência partidária e se conecta diretamente à misoginia. "Essa violência virtual vem do bolsonarismo, vem dessa polarização e da normalização de discursos que colocam as mulheres em posição de inferioridade", afirmou.

A ativista revelou ter recebido ameaças explícitas e chocantes após o anúncio, como uma mensagem que dizia: “Você tem é que tomar mais 122 socos dessa vez para ficar sem a cabeça, sua puta petista”.

Juliana classificou esses ataques, em conversa com o Diário do RN, como uma nova forma de violência. "Quando uma pessoa que passou pelo que eu passei é agredida novamente, mesmo que de maneira psicológica ou virtual, você está revitimizando uma mulher que já foi vítima de violência em vários aspectos", pontuou, destacando o impacto profundo desses atos.

Ao abordar sua recuperação emocional após a agressão sofrida há cerca de oito meses, Juliana confessou que ainda convive com lembranças traumáticas, frequentemente reativadas pelos ataques online. "Infelizmente não é algo fácil de esquecer. Às vezes a memória fica mais amena, mas aí alguém tenta me revitimizar e traz aquilo de volta da pior maneira possível", descreveu a persistência da dor.

No entanto, mesmo diante das ameaças e da revitimização, ela reafirma que transformou a dor em um poderoso combustível para sua atuação na defesa das mulheres. "Ao contrário do que estão tentando fazer, que é me desestabilizar emocionalmente, isso está servindo como mola. Estou cada vez mais impulsionada a lutar pelo direito das mulheres", declarou com firmeza.

Juliana fez questão de frisar que nunca considerou uma obrigação se tornar porta-voz da pauta, mas optou por assumir esse papel ao compreender que sua história pode iluminar e auxiliar outras mulheres vítimas de violência. "Muitas não tiveram a segunda chance que eu tive. Então, se eu posso dar voz a isso de forma digna, eu vou fazer", concluiu, transmitindo uma mensagem de esperança e compromisso.

Juliana Garcia durante entrevista ao Portal Diário do RN, em 13 de maio de 2026.

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