DECISÃO JUDICIAL IMPACTA PESQUISA

Juíza suspende pesquisa eleitoral do Instituto Veritá após constatação de irregularidades

Foto do logo do Instituto Veritá.
Instituto Veritá, sediado em Uberlândia (MG), teve pesquisa suspensa por juíza do TRE-RN.

Determinação liminar atende a pedido do Republicanos e aponta falhas metodológicas em levantamento que colocava Álvaro Dias em primeiro lugar. Divulgação está suspensa sob multa.

{"blocks":[{"key":"234d9","text":"A juíza Francimar Dias, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), determinou, em caráter liminar, a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Veritá. A decisão, proferida nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, atende a uma representação do partido Republicanos, que apontou irregularidades no plano amostral e na metodologia utilizada pelo instituto, impactando a percepção pública sobre a disputa para o Governo do Estado e para o Senado nas eleições de 2026.","type":"paragraph"},{"key":"b78c2","text":"O levantamento, registrado na Justiça Eleitoral sob o número RN-06276/2026, foi divulgado na última quarta-feira, 10 de junho de 2026. Ele apresentava Álvaro Dias (PL) na liderança da corrida pelo Governo do Estado, seguido por Cadu Xavier (PT) e por Allyson Bezerra (União). O resultado destoou de sete outras pesquisas divulgadas entre o fim de maio e o início de junho no Rio Grande do Norte, as quais indicam Allyson na primeira colocação, Álvaro em segundo e Cadu em terceiro lugar, como ocorreu em levantamento do Instituto Exatus, divulgado pelo grupo Agora RN no fim de maio.","type":"paragraph"},{"key":"3e1d4","text":"Na ação, o Republicanos sustentou que a pesquisa reproduziu problemas metodológicos já apontados anteriormente contra o Instituto Veritá, especialmente na composição do plano amostral. Segundo a legenda, o levantamento atribuiu 34% dos entrevistados à faixa de ensino superior, percentual muito acima da média de cerca de 14% utilizada por outros institutos com base em dados oficiais. Também foi questionada a distribuição por renda, com 25% da amostra concentrada entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos, enquanto outros levantamentos limitam esse segmento a aproximadamente 13% do eleitorado. Outro ponto destacado pela representação foi a utilização de referências genéricas para a construção da amostra.","type":"paragraph"},{"key":"8f2a5","text":"O Instituto Veritá informou apenas que utilizou bases como IBGE, PNAD Contínua, MEC e Inep, sem especificar quais levantamentos, tabelas ou anos de referência serviram de parâmetro para a pesquisa. Essa falta de detalhamento, segundo o partido, inviabilizaria a fiscalização dos dados utilizados.","type":"paragraph"},{"key":"1c9b6","text":"Ao analisar o pedido, a juíza Francimar Dias entendeu que há indícios suficientes de irregularidade para justificar a concessão da tutela de urgência. Na decisão, ela afirmou que a pesquisa apresenta, em análise preliminar, incompatibilidades entre o perfil amostral informado e a distribuição demográfica do eleitorado potiguar, especialmente quanto às variáveis de escolaridade e renda. O percentual de entrevistados com ensino superior registrado pelo instituto é significativamente superior ao utilizado por outros levantamentos baseados em fontes oficiais, indicando possível super-representação desse segmento na amostra. O mesmo ocorre, segundo a decisão, com a faixa de renda mais elevada, que aparece em proporção considerada discrepante em relação aos dados demográficos do Estado.","type":"paragraph"},{"key":"9a3d7","text":"“Essa grande divergência nos dados percentuais, aferível de maneira objetiva, associada à indicação genérica da base de dados que serviu de parâmetro para a definição do plano amostral, prejudica, em uma análise preliminar, a capacidade de fiscalização do Ministério Público Eleitoral e dos demais interessados acerca da representatividade da amostra pesquisada, de modo a justificar o deferimento do pedido de suspensão da pesquisa eleitoral impugnada”, escreveu a juíza.","type":"paragraph"},{"key":"5b8e0","text":"A decisão também ressalta que o Instituto Veritá já foi alvo de questionamentos semelhantes em outros processos envolvendo pesquisas eleitorais no Rio Grande do Norte. Francimar Dias ainda destacou que a pesquisa já havia sido amplamente divulgada em diferentes plataformas e canais de comunicação, circunstância que amplia seus efeitos sobre a percepção do eleitorado acerca da disputa eleitoral de 2026.","type":"paragraph"},{"key":"7f1a2","text":"Diante disso, determinou a suspensão imediata da divulgação do levantamento em todas as plataformas, sites e meios de comunicação, até nova deliberação judicial, fixando multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. O pedido para estender a ordem de remoção a terceiros que reproduziram a pesquisa ficou para análise posterior. Esta é a terceira pesquisa do Instituto Veritá suspensa pela Justiça Eleitoral no Rio Grande do Norte neste ano. Em decisão proferida no último dia 13 de maio, o juiz Marcello Rocha Lopes já havia determinado a suspensão dos levantamentos RN-02256/2026 e RN-04097/2026, também a pedido do Republicanos, pelas mesmas razões da nova suspensão.","type":"paragraph"},{"key":"6e5b9","text":"O Veritá é sediado em Uberlândia (MG), mas costuma realizar pesquisas fora do território mineiro. Os três levantamentos do RN foram realizados com recursos próprios, segundo o registro oficial. Em um cenário de questionamentos sobre metodologias, outro instituto que apresentou resultado destoante dos demais foi o AtlasIntel, com Cadu Xavier na liderança para o Governo do RN. Contudo, como a Veritá, a Atlas também se tornou alvo de questionamentos, após a suspensão de um levantamento nacional sobre a corrida presidencial pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, por indícios de viés contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).","type":"paragraph"}],"version":1}

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