JUSTIÇA E TRAGÉDIA
Juiz decreta prisão de namorado de jovem morta em racha no ES
Prisão preventiva de Ramon Mapelli dos Santos decretada em 24 de abril de 2026. Suspeito tinha CNH suspensa e vencida desde dezembro de 2025, além de histórico criminal.
A Justiça do Espírito Santo decretou a prisão preventiva de Ramon Mapelli dos Santos na sexta-feira, 24 de abril de 2026, medida que busca respostas à morte da universitária Sara Gimenes Torres. O juiz Alexandre Pacheco Carreiro foi o responsável pela decisão, que visa assegurar a ordem pública e o andamento da instrução criminal. Ramon é investigado por envolvimento em um suposto racha que tirou a vida da jovem de 22 anos na Rodovia Leste-Oeste, em Cariacica, e seu histórico criminal acende um alerta sobre a segurança no trânsito da Grande Vitória.
Procurado pelas autoridades, Ramon Mapelli dos Santos, que era namorado da vítima, já possui um longo histórico de passagens pela polícia. Ele foi preso por receptação de celular roubado, acumula infrações de trânsito e responde a denúncias por ameaças e envolvimento com agiotagem.
A decisão judicial de 24 de abril de 2026 destacou que o investigado já esteve envolvido em episódios de ameaça, incluindo um registro em 2020 e outro mais recente, no qual teria intimidado uma vítima com arma de fogo. Além disso, a Justiça apontou indícios de atuação em agiotagem, com cobrança abusiva de valores e intimidação, inclusive com exposição em redes sociais e promessas de violência.
Em 2024, Ramon foi preso em flagrante por receptação, após ser encontrado com um celular com restrição de furto ou roubo. Há também registros de envolvimento em crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria. No momento do acidente fatal, Ramon estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa e vencida desde dezembro de 2025, um dado que agrava ainda mais a situação.
A tragédia na Rodovia Leste-Oeste
Sara Gimenes Torres, de 22 anos, estava no banco do passageiro do veículo, um Toyota Etios branco, e não resistiu aos ferimentos, morrendo ainda no local do acidente na madrugada de quarta-feira, 22 de abril de 2026. A jovem ficou presa às ferragens após o capotamento. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PMES), uma amiga da vítima, que estava no banco traseiro, permaneceu no local e relatou não saber informar com precisão o que teria provocado o acidente.
A testemunha afirmou ter conhecido o motorista no mesmo dia e não soube dizer se ele havia ingerido bebida alcoólica. Ela se lembrou apenas de um veículo BMW passando em alta velocidade nas proximidades pouco antes de perceber a amiga ferida. Ainda segundo a PMES, garrafas de bebidas alcoólicas vazias foram encontradas dentro do carro, e a testemunha também apresentava odor etílico, característico de ingestão de álcool.
O carro foi localizado tombado em uma valeta de drenagem no canteiro central da rodovia. Um poste de iluminação pública foi atingido, ficou danificado e caiu sobre o veículo, mostrando a violência do impacto.
Defesa contesta acusações
Em nota, a advogada Maria Eduarda Tacon, que representa a defesa de Ramon Mapelli dos Santos, informou que trabalha para comprovar a inocência do investigado frente à acusação de homicídio doloso. A advogada reafirmou que inexiste qualquer elemento material que sustente a ocorrência de racha ou disputa de velocidade entre os veículos envolvidos.
“Reiteramos nosso compromisso com a busca pela verdade real e com o pleno exercício do contraditório, mantendo-nos à disposição para novos esclarecimentos no decorrer da instrução processual”, finalizou Tacon, que também criticou a decisão pela prisão preventiva. Segundo ela, o delegado encarregado decidiu solicitar a medida à Justiça mesmo após ser informado de que Ramon se apresentaria para esclarecer os fatos no dia seguinte.
Polícia divulga vídeo e segue buscas
Imagens de monitoramento obtidas pelas autoridades mostram os segundos que antecederam o capotamento. Nos registros, é possível ver dois carros de cor preta seguidos por um veículo branco trafegando em alta velocidade. Instantes depois, o automóvel branco perde o controle da direção e capota com Sara no interior. De acordo com as investigações, após o acidente, Ramon fugiu do local sem prestar socorro à vítima. A amiga do casal sofreu apenas ferimentos leves. A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) segue com diligências para identificar os demais envolvidos no suposto "racha".
Quem era Sara Gimenes Torres
Natural de Muniz Freire, no sul do estado, Sara cursava Farmácia e morava em Vila Velha, na Grande Vitória, onde conciliava os estudos com o trabalho em uma concessionária. A jovem tinha um futuro promissor, interrompido de forma abrupta e cruel. Seu corpo foi levado para Muniz Freire, sua cidade natal, onde o velório foi realizado na quinta-feira, 23 de abril de 2026, na capela mortuária do Centro, e o sepultamento ocorreu no distrito de Itaici. A partida de Sara deixa uma lacuna imensa e um apelo urgente por justiça e responsabilidade no trânsito.
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