TECNOLOGIA E MERCADO

Jovens brasileiros apontam lacuna em formação para uso de IA

Jovens utilizando computadores e dispositivos tecnológicos em ambiente de trabalho ou estudo.
Inteligência Artificial na vida dos jovens que estão começando no mercado de trabalho — Foto: Reprodução/TV Globo

Estudo do Espro revela que, embora a IA seja vista como aliada na rotina e no trabalho, a falta de diretrizes técnicas limita o potencial dos novos profissionais.

A maioria dos jovens brasileiros reconhece a inteligência artificial como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento profissional, mas carece de preparo técnico para extrair o melhor dessas tecnologias. O dado foi consolidado em uma pesquisa realizada com 1.874 jovens paulistas pelo Espro, divulgada nesta segunda-feira, 13/07/2026, com o objetivo de mapear a integração da IA no mercado de trabalho.

O levantamento ganha relevância ao demonstrar que, enquanto o uso de ferramentas digitais cresce, o suporte educacional não acompanha a demanda. Para a sociedade, esse cenário sinaliza um risco de obsolescência precoce para quem ingressa no mercado sem o letramento digital necessário para operar sistemas com ética, segurança e precisão crítica.

O estudante Luiz Felipe Dias, que utiliza IA desde 2024 para logística e preparação para o Enem, exemplifica a transição vivenciada por muitos. "Eu uso o nível intermediário para me auxiliar no gerenciamento de tabelas e na pesquisa em relação a rota de logística", relata. Já a estudante Melissa Eugênio reforça a necessidade de curadoria humana: "Eu não posso confiar 100% nela, porque às vezes ela traz alguma informação que não é 100% exata".

Os números refletem essa insegurança: mais de um terço dos entrevistados aponta falta de orientação clara. Apenas 33% dos jovens sentem que receberam a preparação adequada, enquanto 15% consideram o ensino atual insuficiente. Alessandro Saade, diretor-executivo do Espro, enfatiza que a mudança de mentalidade é urgente: "O importante é o jovem aprender a usar a IA de maneira ética, cuidadosa e séria", afirma.

A pesquisa reforça que o uso massivo já é uma realidade — 49% utilizam a tecnologia em tarefas básicas e 35% com frequência elevada. Para especialistas, a IA não deve ser vista como ameaça, mas como um complemento que potencializa a produtividade, desde que acompanhada de um esforço intelectual humano qualificado.

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