JUROS PODEM CAIR MAIS

Itaú Unibanco vê espaço para mais cortes na taxa Selic no próximo Copom

Sede do Banco Central do Brasil em Brasília.
Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual.

Analistas do Itaú Unibanco avaliam que a decisão do Banco Central (BC) de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano abre caminho para novas reduções e discute o impacto da política fiscal.

O Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, em decisão anunciada na quarta-feira, 17 de julho de 2026. A medida, aguardada pelo mercado, já motiva análises sobre os próximos passos da política monetária brasileira, com o Itaú Unibanco apontando para a possibilidade de novos cortes na taxa básica de juros. A decisão, embora técnica, reflete a busca por um equilíbrio econômico que impacta diretamente a vida dos cidadãos, desde o custo do crédito até o poder de compra.

Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, comentou que a redução de 0,25 ponto percentual foi um movimento esperado, embora houvesse incertezas sobre o exato desfecho da reunião do Copom. Segundo a projeção do Itaú, a Selic poderia encerrar o ano em 13,75%, o que implicaria a ocorrência de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro.

"Temos uma percepção de que na próxima reunião certamente haverá um corte, tem chance maior de haver um corte, pelo menos", afirmou Gonçalves, ressalvando que a trajetória futura da taxa de juros será constantemente reavaliada com base na evolução dos indicadores econômicos.

Impacto fiscal e a trajetória dos juros

Para Gonçalves, o ponto de maior relevância para a economia real não reside apenas na diferença entre uma Selic em 13,75% ou 14% ao ano. Ele enfatiza que o mais crucial é o fato de os juros permanecerem em um patamar elevado por um período prolongado. Essa persistência de juros altos afeta o custo de empréstimos, investimentos e, consequentemente, o planejamento financeiro de famílias e empresas.

"O mais importante é entender por que os juros estão parando em um nível tão alto", disse. Ele apontou que a divergência entre a política fiscal e a política monetária é a raiz desse problema: "Isso tem muito a ver com uma política fiscal que está indo em uma direção, uma política monetária em outra direção."

A análise do Itaú também considera a comunicação do Copom, que apresentou sinais ambíguos. Por um lado, foram citados fatores de aperto, como a aceleração da atividade econômica e a revisão da projeção de inflação de 3,5% para 3,7% no horizonte relevante, além da adição de riscos altistas. Por outro lado, o comunicado sinalizou que, na próxima reunião, com a rolagem do horizonte relevante para o primeiro trimestre de 2028, as projeções de inflação poderiam ficar abaixo da meta, abrindo espaço para novos cortes.

Gonçalves destacou ainda uma passagem do comunicado que gerou dúvidas sobre uma possível alteração na forma como o comitê toma decisões. "O comitê fala que seria compatível essa decisão com uma suavização na variação dos agregados macroeconômicos", observou. A clareza sobre se o BC está atribuindo maior peso a variáveis como crescimento e PIB, além da inflação, será crucial e deve ser dirimida nas próximas comunicações, com especial atenção à ata do Copom.

O cenário externo também é um fator determinante. O recuo do preço do petróleo, após o conflito entre Estados Unidos e Irã, representa um alívio inflacionário. Contudo, a incerteza global persiste. A decisão do Federal Reserve dos Estados Unidos, divulgada no mesmo dia e que sinalizou uma postura mais rigorosa em relação à inflação com possíveis altas de juros, levanta questionamentos sobre o espaço que o BC brasileiro terá para prosseguir com os cortes.

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