AÇÃO ILEGAL
Itamaraty condena "sequestro" de brasileiro por Israel
Nota conjunta com a Espanha acusa Israel de afronta ao Direito Internacional após interceptação de flotilha humanitária em águas internacionais.
O governo do Brasil, em uma ação conjunta com a Espanha, condenou veementemente nesta sexta-feira, 01/05/2026, o que classificou como "sequestro" de cidadãos de ambos os países. A repreensão surgiu após uma operação de Israel contra barcos de ativistas que buscavam levar ajuda humanitária crucial para a Faixa de Gaza. Esta interceptação em águas internacionais representa uma grave afronta ao Direito Internacional, violando a dignidade dos indivíduos detidos e gerando uma crise diplomática de alto impacto.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio do Itamaraty, os dois ativistas detidos faziam parte da flotilha Global SUMUD, interceptada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) em águas internacionais, próximo à Grécia. Os governos do Brasil e da Espanha manifestaram a mais enérgica condenação, enfatizando a ilegalidade da ação.
"Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições", declarou um trecho da nota conjunta. Por isso, os dois governos exigiram o retorno imediato e seguro de seus cidadãos, garantindo sua integridade e direitos.
A Global Sumud Flotilla, que organizou a missão rumo ao território palestino, identificou os ativistas detidos por Israel como o brasileiro Thiago Avila e o espanhol Saif Abukeshek. Eles não foram libertados após a interceptação e foram encaminhados para o território israelense, uma situação que agrava a preocupação internacional.
É relevante destacar que o brasileiro Thiago Ávila já havia sido capturado pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) em outras ocasiões, o que sugere um padrão de ações contra ativistas que buscam prestar auxílio humanitário na região.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que 175 pessoas foram capturadas durante a operação. Sem apresentar provas concretas, o governo de Benjamin Netanyahu alegou que o Hamas estaria por trás da flotilha, buscando sabotar um plano de paz e transição política na Faixa de Gaza. Esta acusação surge em um contexto de extrema violência, onde três palestinos foram mortos na quinta-feira, 30/04, pelas FDI, apesar de um cessar-fogo no conflito que já ceifou mais de 70 mil vidas no território palestino.
O ataque às embarcações já havia sido condenado em termos enérgicos por diversas nações. Além do Brasil e da Espanha, países como Turquia, Bangladesh, Colômbia, Jordânia, Líbia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Paquistão e África do Sul se uniram à declaração, demonstrando uma ampla reprovação internacional.
"Os ataques israelenses contra as embarcações e a detenção ilegal de ativistas humanitários em águas internacionais constituem flagrantes violações do direito internacional e do direito internacional humanitário. Os Ministros manifestam profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis", concluiu a declaração, ressaltando o clamor global pela proteção dos direitos humanos e o respeito às normas que regem a conduta entre as nações.
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