DIGNIDADE EM JOGO

Irã nega tratamento vital a Narges Mohammadi, Nobel da Paz

Foto de Narges Mohammadi, Nobel da Paz, em preocupante estado de saúde.
Ativista Iraniana Narges Mohammadi perdeu peso e tem tratamento médico negado.

Ativista sofre de saúde instável e perdeu 19 kg na prisão. Família clama por socorro urgente.

A ativista Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, enfrenta um quadro de saúde extremamente delicado, necessitando de suporte de oxigênio e com pressão arterial instável, conforme comunicado pela Fundação Narges neste sábado, 02 de maio de 2026. Apesar da transferência emergencial da prisão para um hospital em Zanjan, no noroeste do Irã, a família e médicos clamam por acesso a tratamento especializado em Teerã, um pedido que as autoridades iranianas têm persistentemente negado, gerando profunda preocupação sobre sua vida e a negligência dos direitos humanos.

A Fundação Narges alertou para uma "deterioração catastrófica" na saúde da ativista, que inclui dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca. Aos 53 anos, Mohammadi tem histórico de problemas cardíacos e já passou por três angioplastias, tendo sofrido um ataque cardíaco em março de 2026.

Seus familiares descreveram a recente transferência como uma ação desesperada de "última hora", possivelmente tardia demais para atender às suas necessidades mais críticas. O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, expressou o desespero familiar: "Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta".

Detida em dezembro de 2025 após críticas ao governo iraniano, Mohammadi corre risco de vida, pois passou meses sem acesso adequado a tratamento médico. A Fundação Narges, em nota divulgada na quarta-feira, 29 de abril de 2026, havia alertado sobre a situação. Condenada a 7,5 anos de prisão, a ativista perdeu mais de 19 quilos e sente dores constantes no peito, de acordo com o comunicado.

Advogados que a visitaram em 28 de abril de 2026 relataram que a pressão arterial de Mohammadi atingiu "níveis perigosos", e a medicação não foi suficiente para reverter o quadro. As autoridades iranianas, inicialmente, recusaram-se a suspender temporariamente a pena para permitir o atendimento cardíaco especializado, desconsiderando as recomendações médicas.

Diante da gravidade, a Fundação Narges fez um apelo urgente à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas (ONU) e a entidades de direitos humanos. O pedido é para que pressionem o Irã pela transferência imediata de Mohammadi a uma unidade de saúde especializada, bem como pela sua libertação e a de outros presos políticos.

Infarto e prisão marcam trajetória

O estado de saúde da ativista se agravou notavelmente após uma crise cardíaca grave em 24 de março de 2026. Na ocasião, Mohammadi sentiu dores no peito e perdeu a consciência, recebendo atendimento apenas na enfermaria da prisão, segundo relatos de seus familiares.

Mohammadi foi presa novamente em dezembro de 2025 devido às suas críticas ao governo iraniano. Em fevereiro de 2026, recebeu uma nova condenação que estendeu sua pena em 7,5 anos. Atualmente na prisão central de Zanjan, no norte do país, ela enfrenta condições que organizações de direitos humanos classificam como severas.

Narges Mohammadi — Foto: Reuters

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