GUERRA DE VERSÕES

Irã e EUA divergem sobre trégua e negociações de paz

Imagem ilustrativa do Estreito de Ormuz.
Conflito de informações marca o pós-trégua entre Irã e EUA.

Enquanto autoridades iranianas negam acordos sobre inspetores e ativos, o governo americano sustenta o contrário. A Organização Marítima Internacional coordena retirada de marinheiros bloqueados.

Após a confirmação de uma trégua entre Irã e Estados Unidos, uma disputa sobre as narrativas em torno das negociações de paz ganhou força. A divergência se manifesta em pontos cruciais como a volta de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e a gestão de ativos iranianos congelados no exterior. Em Genebra, o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, que participou das conversas na Suíça, afirmou que o tema das inspeções não foi sequer discutido, contrariando declarações do presidente americano, Donald Trump. Trump, por sua vez, assegurou que, caso o Irã não tivesse concordado com as inspeções, os encontros seriam cancelados imediatamente.

Outro foco de discórdia reside no destino dos fundos iranianos bloqueados internacionalmente. A Casa Branca alega que os recursos liberados como parte das negociações serão administrados conjuntamente pelos Estados Unidos e pelo Catar, com exigência de que o regime iraniano utilize os valores para aquisição de produtos agrícolas americanos. O embaixador Ali Bahreini, no entanto, declarou que o Irã detém exclusividade na decisão sobre o uso do dinheiro.

Questões relativas ao Estreito de Ormuz também geram atritos. O embaixador iraniano confirmou que a rota permanece aberta e livre de pedágios, mas não afastou a possibilidade de futuras taxas após o fim do acordo provisório de 60 dias. Essa perspectiva foi categoricamente rejeitada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Diante desse cenário de incertezas, a Organização Marítima Internacional anunciou uma operação de grande escala para auxiliar na retirada de 11 mil marinheiros de navios comerciais que se encontravam retidos no estreito. Em colaboração com o governo de Omã, a agência da ONU oferecerá orientação para garantir a saída segura das embarcações.

Paralelamente, Donald Trump sofreu uma importante derrota política nesta terça-feira, 23 de julho de 2024. O Senado americano decidiu que qualquer continuidade em ações militares no Irã exigirá autorização prévia do Congresso. A medida, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes no início de junho, contou com o apoio de quatro senadores republicanos, que se uniram à oposição democrata, garantindo a aprovação do texto.

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