MUNDO EM ALERTA
Ipsos revela: Inflação assombra o mundo e domina preocupações globais
33% dos entrevistados veem inflação como principal temor; crime e desigualdade social seguem de perto, impactando a vida de milhões.
Os preços em alta e a instabilidade econômica foram revelados como a maior fonte de angústia em todo o mundo. É o que aponta a edição de abril do relatório Ipsos What Worries the World, divulgado nesta terça-feira, 05/05/2026, indicando que a inflação domina as preocupações de 33% dos entrevistados. Esta constatação, que reflete um cenário global de incertezas econômicas e sociais, impacta diretamente a dignidade e o poder de compra das famílias, forçando-as a lidar com a perda contínua do valor de seus salários e poupanças em meio a tensões geopolíticas e oscilações energéticas.
Logo em seguida, o temor com crime e violência assola 31% das pessoas, enquanto a pobreza e a desigualdade social preocupam 28%, revelando um panorama de vulnerabilidades que corroem a segurança e a esperança de milhões.
Para Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, o cenário atual desenha um mundo onde as aflições econômicas e sociais permanecem no centro das atenções, intensificadas por tensões geopolíticas, a volatilidade dos preços da energia e a incerteza quanto à desaceleração da inflação em diversas nações. Essa instabilidade global se traduz em ansiedade crescente sobre o futuro e a capacidade de manter um padrão de vida digno.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o receio com a inflação se intensifica, notavelmente impulsionado por uma escalada na preocupação com conflitos. Apenas no último mês, a preocupação com a inflação no território norte-americano disparou 15 pontos percentuais, alcançando 27% dos entrevistados – um dos maiores saltos registrados. Essa alta nos preços é um fardo para o dia a dia das famílias, que veem seu poder de compra diminuir rapidamente.
Essa percepção é um reflexo direto da escalada de tensões que envolvem a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio. Os novos ataques e as respostas militares, amplamente divulgados em março e abril, fizeram com que a sensação de risco global se elevasse significativamente entre os americanos, gerando apreensão sobre a estabilidade e a segurança, esclarece Pagura.
Na Europa, o panorama não é diferente. Na França, por exemplo, a inflação se consolida como a principal apreensão para 38% da população, um aumento de 12 pontos no último mês e de sete pontos em relação ao ano anterior. Este cenário desafia a capacidade dos cidadãos de planejar o futuro e acessar bens essenciais.
Paralelamente, a angústia com conflitos militares cresceu oito pontos, atingindo 25%, um sinal de que a instabilidade internacional também ecoa entre os franceses, impactando seu senso de tranquilidade, mesmo que não lidere as preocupações.
Cenário no Brasil
No Brasil, o relatório Ipsos What Worries the World revela que a sombra do crime e da violência continua a ser o maior temor, com 47% das menções, gerando um ambiente de medo e insegurança. Em seguida, a corrupção aflige 39% da população, enquanto a pobreza e a desigualdade social atingem 36%, e a saúde, 35%. Essas preocupações, que se mantêm estáveis desde março, expõem as feridas sociais profundas que minam a confiança e o bem-estar coletivo.
Apesar disso, a percepção sobre o futuro do país mostra sinais de um certo desencanto. Apenas 32% dos entrevistados acreditam que o Brasil segue na direção correta, um recuo de três pontos percentuais em apenas um mês. Este dado reflete a frustração e a busca por respostas concretas que tragam esperança.
Tal cenário sugere uma alteração no humor da população, possivelmente ligada à falta de melhorias tangíveis no horizonte imediato, em vez de um evento isolado. Isso solidifica um ambiente de cautela generalizada e expectativas contidas, onde a esperança por dias melhores se choca com a realidade de desafios persistentes, conclui o CEO da Ipsos.
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