ALERTA DIGITAL URGENTE
Ipsos e Unico revelam que 13% dos jovens acessaram conteúdo adulto
Pesquisa de 2025 ouviu 1.200 crianças e adolescentes; curiosidade é principal motivador.
A exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdo adulto na internet é um desafio alarmante. Um levantamento da Ipsos em parceria com a Unico, divulgado nesta terça-feira, 19/05/2026, revelou que 13% dos jovens brasileiros tiveram contato com esse tipo de material em 2025. O dado reacende o debate sobre a segurança online e a proteção da dignidade infantojuvenil no ambiente digital.
A análise detalhada do estudo mostra que esse consumo não ocorre de forma homogênea. Na verdade, ele está intimamente ligado a fatores como idade, gênero, hábitos digitais e a percepção de acompanhamento familiar. Tal cenário ganha relevância ainda maior em meio às discussões sobre o ECA Digital, um projeto que visa aprimorar a salvaguarda de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Um Olhar Profundo: Jovens e o Conteúdo Adulto
O levantamento da Ipsos, que ouviu 1.200 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos em todo o país, confirmou que 13% dos jovens brasileiros acessaram conteúdo adulto em 2025. O índice mais elevado surge entre meninos de 16 a 17 anos, atingindo 29%, o que indica uma concentração da exposição na fase final da adolescência masculina.
Entre as meninas, a dinâmica é diferente: o salto mais significativo acontece entre os 14 e 15 anos, período em que o acesso triplica e alcança 16%. Esse dado sugere que o avanço feminino nesse tipo de consumo se manifesta mais cedo do que o pico observado no público masculino. A curiosidade emerge como a principal motivação, citada por 61% dos jovens, seguida de perto por busca por prazer, distração ou passatempo.
Plataformas Restritas e a Vulnerabilidade Digital
Uma realidade preocupante revelada pela pesquisa é que 25% dos jovens brasileiros já mentiram sobre a própria idade para acessar plataformas digitais. Essa prática sublinha como a falsificação de dados etários permanece uma brecha relativamente simples para contornar as regras de acesso e expor os mais novos a riscos.
Como resultado direto, cerca de 57% dos jovens relataram ter tido contato com conteúdos controversos, que abrangem violência extrema, pornografia, drogas ou automutilação. Além disso, 18% afirmaram já terem sido ofendidos, ameaçados ou tratados de forma agressiva na internet, evidenciando o impacto real da falta de proteção.
Um dos maiores obstáculos à regulamentação é justamente a criação de mecanismos confiáveis de verificação de idade em plataformas com grande alcance e alto engajamento. Isso demonstra que a questão vai além do comportamento do usuário, envolvendo também as complexidades técnicas e operacionais para checar idades de maneira consistente e eficaz.
A Importância da Orientação Parental no Mundo Digital
A pesquisa também aponta para o papel crucial dos pais: entre jovens de 10 a 13 anos, 64% indicam que os pais "sabem muito" sobre sua vida digital. Contudo, esse índice cai para 45% entre adolescentes de 16 a 17 anos, revelando uma diminuição na supervisão à medida que os filhos crescem.
Embora a curiosidade lidere como motivo para o acesso a conteúdo adulto em geral, essa lógica se altera drasticamente na ausência de supervisão online. Entre os jovens que declaram que os pais "não sabem nada" sobre sua vida digital, a distração torna-se o principal motivador, alcançando 51%.
"Entre jovens que percebem maior acompanhamento dos pais, o índice de vitimização online fica em torno de 13%. Quando essa supervisão é menor, por exemplo em famílias em que os pais têm pouca compreensão dos riscos digitais e permanecem a maior parte do dia fora de casa, esse número sobe para 37%", explica Luis Felipe Monteiro, CEO LATAM da Unico, em entrevista à CNN Brasil. Essa diferença numérica ilustra o impacto profundo da presença parental na segurança digital dos filhos.
Indústria de Conteúdo Adulto e a Verificação de Idade
A indústria de entretenimento adulto encara o avanço dos mecanismos de verificação de idade como uma medida indispensável, desde que sua implementação não comprometa a privacidade dos usuários adultos nem crie obstáculos desproporcionais para empresas que operam dentro da legalidade.
Para a ABIPEA (Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto), a proteção de menores exige a colaboração de diversos atores, incluindo famílias, plataformas digitais, empresas de tecnologia, o setor adulto e o Estado. A associação defende que a regulamentação pode distinguir empresas responsáveis de operadores clandestinos, mas alerta para o perigo de regras excessivamente rigorosas que poderiam empurrar usuários para sites ilegais e menos seguros.
"O setor adulto responsável já entendeu que controle de acesso não é mais diferencial — é obrigação", afirma Paula Aguiar, presidente da ABIPEA, em mensagem exclusiva à CNN Brasil.
A Tecnologia da Unico na Proteção Online
A Unico, parceira no levantamento, desenvolveu uma tecnologia de verificação de idade que utiliza uma selfie para confirmar se o usuário é maior de idade, repassando à plataforma apenas a resposta de sim ou não. A empresa garante que o processo é rápido, levando cerca de 2,5 segundos, e atinge 99,9% de assertividade, sem depender de estimativas.
A solução foi criada sob o conceito de Privacy by Design, assegurando que não há armazenamento de dados biométricos nem compartilhamento de informações além do resultado da checagem. Gabriela Dias, diretora da Unico, destaca que a eficácia da ferramenta é reforçada por uma tecnologia de prova de vida.
Segundo Dias, a operação incorpora quatro camadas de proteção e quatro de reação para detectar e barrar fraudes sofisticadas, inclusive aquelas que empregam Inteligência Artificial para burlar restrições etárias. "O mecanismo valida a presença real do usuário e é capaz de identificar desde fraudes simples até tentativas mais sofisticadas envolvendo inteligência artificial e deepfakes. Ou seja, se uma criança quiser se passar por um adulto, seja pintando um bigode ou usando IA, conseguimos identificar e bloquear", Luis Felipe Monteiro acrescenta, enfatizando a robustez da ferramenta.
Monteiro ainda reitera que o serviço de verificação da Unico se fundamenta em três pilares: precisão, privacidade e experiência. A tecnologia da empresa opera com 99,98% de assertividade, tudo isso com uma selfie capturada em meros 2,5 segundos e sem a coleta de nenhum outro dado do usuário, oferecendo uma barreira eficaz contra a exposição indevida.
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