INFLAÇÃO EM QUEDA

IPCA tem alívio em junho e mercado projeta passos do Copom

Gráfico de indicadores econômicos em destaque com foco em inflação.
O IPCA de junho traz fôlego para o mercado enquanto investidores monitoram decisões do Banco Central.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechou em 0,16%. Especialista aponta que arrefecimento de conflitos no Golfo Pérsico favorece economia brasileira.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,16% em junho, situando-se abaixo da projeção de 0,31% esperada pelo mercado. Os dados, analisados no sábado, 11/07/2026, mostram a leitura mensal mais contida desde outubro do ano anterior, embora o acumulado de 12 meses ainda pressione o orçamento das famílias brasileiras ao atingir 4,64%.

Em entrevista ao Agora CNN, Samuel Barros, professor de Finanças do Ibmec-RJ, explicou que o recuo reflete diretamente o setor de alimentação e a queda nos preços dos combustíveis. O arrefecimento de tensões geopolíticas no Golfo Pérsico tem sido fundamental para estabilizar os custos logísticos globais, impactando positivamente a realidade do consumidor no Brasil.

Apesar do alívio pontual, a trajetória da inflação ainda desafia as metas do Banco Central. Samuel Barros avalia que a manutenção desses fatores estruturais é essencial para que o poder de compra da população não sofra novas erosões por pressões externas.

Perspectivas para o Copom e a taxa Selic

O mercado mantém expectativas sobre a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), aguardando um possível corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Segundo Samuel Barros, o movimento depende de indicadores como o IPCA-15, mas o cenário atual permite um otimismo moderado quanto à flexibilização monetária.

No entanto, o especialista alerta que a estabilidade é frágil. A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã representa um risco constante. Qualquer instabilidade militar pode elevar os preços dos combustíveis novamente, revertendo o alívio na logística e elevando o risco inflacionário interno.

Por fim, a revisão de subsídios ao diesel foi vista por Samuel Barros como uma medida de longo prazo necessária para a saúde fiscal. Ele pontua que, embora possa gerar um impacto de 0,1% a 0,2% na inflação, é um ajuste administrável para que o setor de combustíveis opere com maior autonomia de mercado.

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