DIPLOMACIA SOB TENSÃO

Eleição no Brasil contaminou negociação comercial com os EUA

Foto composta mostrando Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em contextos distintos.
O impacto das tarifas de Donald Trump e a relação com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ex-embaixadores alertam que a politização interna das tarifas prejudica o interesse nacional; governo Lula planeja cautela em retaliações.

As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos foram duramente impactadas pela intensificação do período eleitoral brasileiro. A avaliação é de ex-embaixadores ouvidos pelo Metrópoles após o anúncio de duas novas tarifas impostas pelos EUA ao país, mesmo após meses de diálogos diplomáticos.

Rubens Barbosa, que chefiou as embaixadas do Brasil em Londres e Washington, pontua que a politização da disputa interna, com vistas ao pleito de outubro, comprometeu a estratégia de Estado. Segundo o diplomata, o governo de Donald Trump impôs uma nova dinâmica nas relações internacionais, pautada pela priorização exclusiva dos interesses norte-americanos, enquanto o governo brasileiro tem misturado pautas de política externa com objetivos de campanha.

"Estamos misturando política externa com partidarismo. Se não separarmos o interesse nacional da ideologia, o Brasil sairá prejudicado", alerta Barbosa. O diplomata destaca que o discurso de reciprocidade adotado pelo Palácio do Planalto, ao elevar o tom contra Washington, pode ser contraproducente, especialmente considerando o interesse demonstrado por Donald Trump no processo eleitoral brasileiro.

A percepção de que a narrativa de "inimigo externo" serve para consolidar bases eleitorais é compartilhada por outros especialistas. Enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utiliza as sanções para inflamar o discurso de soberania nacional, o setor produtivo teme que a escalada tarifária — que já acumula novos reajustes desde julho de 2025 — traga danos irreversíveis à indústria.

Para o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, a hostilidade de Washington possui um viés ideológico claro, dificultando negociações de boa-fé. "A medida teve motivação político-ideológica. É preciso pensar em um cenário futuro, sem Donald Trump, para buscar a reversão dessas taxas", defende Ricupero.

Atualmente, o governo Lula avalia o uso da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. No entanto, fontes ligadas às negociações afirmam que qualquer medida de retaliação será adotada com extrema cautela, após consultas ao setor produtivo, visando evitar o agravamento da crise econômica interna.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário