PERSPECTIVA DE JUROS

IPCA mais baixo em junho impulsiona expectativa de novo corte na Selic

Prateleiras de supermercado com frutas e verduras.
Produtos da cesta básica de alimentos em supermercados de Brasília.

O IPCA subiu 0,16% em junho, abaixo do esperado, levando o mercado a ajustar projeções para 2026 nesta segunda-feira, 13/07/2026.

O arrefecimento da inflação observado em junho, aliado à revisão de expectativas pelo mercado financeiro, ampliou o otimismo sobre a continuidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros pelo BC (Banco Central). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,16% em junho, índice que superou as previsões mais otimistas, que situavam a estimativa em 0,31%.

Conforme dados divulgados no Boletim Focus nesta segunda-feira, 13/07/2026, a projeção para a inflação de 2026 foi ajustada de 5,19% para 5,16%. Esta é a segunda redução consecutiva, sinalizando um processo de desinflação que ganha consistência e alivia o custo de vida das famílias brasileiras.

O alívio nos preços veio, em grande parte, da cesta de alimentos consumidos no domicílio. Após as altas registradas em maio, produtos como café, carnes e frutas apresentaram recuos expressivos, impactando diretamente o orçamento doméstico e reduzindo a pressão sobre os serviços. A queda nos combustíveis e em tarifas de serviços básicos, como água e esgoto, completou o cenário favorável no mês.

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destacou a qualidade da composição dos dados. Para a especialista, o resultado aponta para uma mudança no balanço de riscos da inflação para 2026, com potencial de estabilidade ou viés de queda nos próximos indicadores. A percepção é compartilhada por Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, que ressalta que a melhora alcançou componentes persistentes da inflação, consolidando espaço para que o Copom (Comitê de Política Monetária) mantenha o ritmo de cortes na reunião de 4 e 5 de agosto.

Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, reforça que o IPCA de junho marcou uma inflexão positiva, reduzindo temores sobre a persistência dos preços. Contudo, a cautela permanece no horizonte dos especialistas. Apesar do otimismo corrente, fatores como a volatilidade do petróleo em função das tensões no Oriente Médio, as incertezas fiscais e o cenário pré-eleitoral mantêm o BC em alerta, sugerindo que a condução da política monetária deverá seguir um ritmo gradual e monitorado.

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