CASO DEOLANE: DINHEIRO DO CRIME

Investigada que movimentou milhões recebeu Bolsa Família enquanto lavava dinheiro para o PCC

Transportadora Lado a Lado, fachada para lavagem de dinheiro do PCC.
Esquema de lavagem de dinheiro para o PCC era operado por transportadora de Elidiane Saldanha Lopes Lemos. (Foto: Reprodução/Metrópoles)

Mulher apontada como dona de transportadora que lavava R$ 20 milhões para o PCC recebeu auxílio do programa federal até 2017. Influenciadora Deolane Bezerra foi presa.

Uma mulher apontada pela Polícia Civil de São Paulo como responsável por uma transportadora que movimentou milhões de reais para o Primeiro Comando da Capital (PCC) recebeu o benefício do Bolsa Família enquanto o esquema de lavagem de dinheiro operava. A descoberta lança luz sobre a profunda infiltração do crime organizado em programas sociais e o alcance de suas atividades ilícitas.

Elidiane Saldanha Lopes Lemos é uma figura central na investigação que levou à prisão da influenciadora Deolane Bezerra, na última quinta-feira, 21 de maio de 2026. Através da empresa dela e de seu marido, Ciro Cesar Lemos, a polícia desvendou um esquema de lavagem de dinheiro que motivou a Operação Vérnix.

Contas bancárias ligadas à transportadora do casal, a Lado a Lado, registraram movimentações superiores a R$ 20 milhões entre 2015 e 2019. A quebra do sigilo bancário de Elidiane revelou ainda mais de R$ 1 milhão em suas contas pessoais, supostamente originados de atividades criminosas.

Em meio a essa movimentação financeira expressiva ligada ao crime organizado, Elidiane manteve seu cadastro no Bolsa Família, recebendo mensalmente entre R$ 158 e R$ 182 até o ano de 2017. Essa situação expõe uma falha grave no sistema de fiscalização e um ataque à dignidade daqueles que realmente necessitam do auxílio.

O Metrópoles apurou que Elidiane se inscreveu no programa federal antes de fundar a transportadora Lado a Lado, em janeiro de 2013. O cadastro permaneceu ativo mesmo após a abertura da empresa, que iniciou suas operações com um capital de R$ 150 mil em Presidente Venceslau, interior de São Paulo.

O esquema de lavagem de dinheiro desarticulado

As investigações da Polícia Civil detalharam como Elidiane e seu marido utilizaram a transportadora, registrada oficialmente como Lopes Lemos Transportes Ltda., para ocultar a origem ilícita de fundos do crime organizado.

A pista inicial para o casal surgiu a partir de bilhetes encontrados na Penitenciária II de Presidente Venceslau, onde uma mensagem mencionava uma "mulher da transportadora".

Polícia então rastreou empresas de transporte com mulheres em posições de liderança, cruzando dados com antecedentes criminais dos sócios. A transportadora Lado a Lado, localizada estrategicamente ao lado da penitenciária, chamou a atenção. A investigação revelou que Elidiane e seu marido já possuíam histórico com a polícia.

A análise financeira da empresa apresentou inconsistências, sugerindo seu uso para lavagem de dinheiro. Contudo, foi a partir de um celular apreendido durante buscas na residência do casal que a polícia confirmou os vínculos com o PCC.

Mensagens trocadas no aparelho revelaram conexões dos investigados com figuras proeminentes como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola; seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho; e a advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Na quinta-feira, 21 de maio de 2026, Deolane foi detida na Operação Vérnix. Elidiane e Ciro seguem foragidos.

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