CRIME E INVESTIGAÇÃO
Investigação sobre envenenamento por mercúrio de artesã no Recife segue sem conclusão
A artesã Denny Cardoso denuncia contaminação persistente em seu local de trabalho no Huoc, com laudos periciais confirmando a presença do metal tóxico em seu organismo.
A investigação policial sobre o caso da artesã Denny Cardoso, que denunciou ter sido envenenada por mercúrio durante meses enquanto atuava em um projeto social, permanece sem desfecho após mais de um ano de apurações. A denúncia, motivada pelo grave comprometimento da saúde da vítima, coloca em xeque a segurança no ambiente de trabalho da profissional e aguarda conclusão pela Polícia Civil desde junho de 2025.
O caso ganhou visibilidade após Denny Cardoso, que prestava serviço no projeto Arte na Medicina, anexo ao Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, registrar em vídeo a suspeita, Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, manipulando sua garrafa de água. A gravidade da situação foi confirmada por laudos toxicológicos que detectaram 21 microgramas de mercúrio por mililitro no sangue da vítima, índice compatível com uma exposição contínua de oito a doze meses.
Os impactos na vida da artesã são profundos. Ela relata sofrer de neuropatia, dores abdominais intensas, compressão na medula e perda de coordenação motora, sintomas que, segundo a própria, decorrem do atingimento do metal em seu sistema nervoso. Atualmente, Denny Cardoso busca, via Justiça, o acesso a um neurocirurgião pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para fundamentar o inquérito policial e prosseguir com o tratamento especializado.
O inquérito, sob responsabilidade da Delegacia da Boa Vista, ainda se encontra em fase de diligências. Embora os exames periciais na água e no organismo da artesã tenham sido concluídos, a Polícia Civil não esclareceu o motivo da demora no encerramento das investigações ou a tipificação criminal específica atribuída a Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, alegando que o sigilo é necessário para a eficácia do trabalho investigativo.
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