SAÚDE DIGITAL BRASIL
Inteligência Artificial revoluciona a saúde no País
Pesquisa revela que 18% dos estabelecimentos já utilizam IA; Disparidade público-privada desafia acesso igualitário.
Uma pesquisa reveladora do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), órgão vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgada nesta quinta-feira, 14/05/2026, mostra que a Inteligência Artificial (IA) já é uma realidade em quase um em cada cinco estabelecimentos de saúde no País. O levantamento, conduzido para mapear a digitalização dos serviços e a integração de tecnologias, destaca uma transformação crescente na oferta de cuidados e na gestão, com implicações diretas na eficiência dos tratamentos e na qualidade de vida dos pacientes.
A adoção da IA no setor de saúde sinaliza um salto significativo na capacidade de inovação, prometendo agilizar diagnósticos, personalizar terapias e otimizar a administração hospitalar. Contudo, o estudo também revela uma notável disparidade: enquanto 25% das instituições privadas já utilizam IA, esse percentual cai para 11% na rede pública. Essa diferença levanta questões cruciais sobre o acesso igualitário a esses avanços e os potenciais impactos na dignidade e bem-estar dos cidadãos em diferentes realidades socioeconômicas.
O estudo, que ouviu 3.270 unidades de saúde em diversas regiões do Brasil por telefone e questionários online, aponta que 18% das unidades de saúde brasileiras já utilizam algum tipo de tecnologia baseada em IA em suas rotinas. Hospitais de maior porte lideram essa adoção, com 31% dos estabelecimentos com mais de 50 leitos afirmando usar IA. Os Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT) seguem de perto, registrando um índice de 29%.
Em contraste, unidades com até 50 leitos e estabelecimentos sem internação apresentam um percentual de 17%. As ferramentas de Inteligência Artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, destacam-se como as mais empregadas, com cerca de 76% dos estabelecimentos que utilizam IA afirmando integrar esse tipo de recurso em suas atividades.
Outras aplicações frequentes abrangem o processamento e análise de linguagem escrita ou falada, presente em 52% das unidades, e sistemas voltados à automação de fluxos de trabalho, utilizados por 48% dos serviços pesquisados. Tecnologias de reconhecimento de fala foram adotadas por 26% das instituições, enquanto o reconhecimento e processamento de sinais e imagens e os sistemas de aprendizado de máquina foram citados por 17% e 15% dos estabelecimentos, respectivamente. Em hospitais de maior porte, a presença de plataformas de IA generativa é ainda mais elevada, atingindo 85% das unidades com mais de 50 leitos que já utilizam Inteligência Artificial.
Além do suporte direto ao atendimento médico, a tecnologia vem sendo crucial para a organização administrativa e a otimização de processos internos. Segundo a pesquisa, 45% das unidades empregam IA para gerenciar processos clínicos e administrativos. Outras finalidades importantes incluem a melhoria da segurança digital (36%), o aumento da eficiência nos tratamentos (32%), o apoio logístico (31%), a gestão de recursos humanos e recrutamento (27%), o auxílio em diagnósticos médicos (26%) e o suporte na dosagem de medicamentos (14%). Notavelmente, a segurança digital surge como a principal prioridade relacionada ao uso da IA em hospitais com internação e mais de 50 leitos, refletindo a preocupação com a proteção de dados sensíveis dos pacientes.
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