CUIDE DO SEU CORAÇÃO
Infarto ou gases? Especialistas revelam sinais críticos da dor no peito
Médicos Anis Mitri e Fernanda Bento de Oliveira Viana detalham sintomas e o que fazer em cada caso para um diagnóstico rápido e seguro.
O dilema entre uma simples dor por gases ou um infarto, que pode significar a diferença entre um alívio caseiro e uma emergência médica, ganha clareza com as orientações de especialistas. Nesta quarta-feira, 20/05/2026, cardiologistas consultados pela CNN Brasil detalham os sinais que podem salvar vidas, enfatizando a importância de um diagnóstico rápido para proteger a saúde e a dignidade do indivíduo diante de um sintoma tão alarmante.
A dor no peito é um dos sintomas que mais causam preocupação, e com razão. Afinal, pode ser um sinal de alerta para o infarto, mas também pode indicar apenas o acúmulo de gases. Daí a relevância de identificar quando o desconforto exige atenção médica.
Quando a dor tem origem nos gases, ela geralmente surge após as refeições, especialmente depois do consumo de alimentos gordurosos, frituras ou bebidas gaseificadas. Também pode manifestar-se em momentos de ansiedade ou tensão, situações em que o corpo tende a reter mais ar no sistema digestivo.
Esse tipo de dor costuma vir acompanhado de uma sensação de inchaço, queimação ou uma pressão leve, localizada na parte central ou lateral do abdômen, podendo irradiar para o peito. É uma dor frequentemente passageira e que melhora com a eliminação dos gases, a movimentação do corpo, mudanças de posição ou o uso de medicamentos simples que auxiliam na digestão.
“Ela melhora quando você anda, quando massageia a região abdominal, quando arrota, que são as erupções, e daí alivia”, explica Anis Mitri, cardiologista e presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo.
Por outro lado, a dor de origem cardíaca possui características distintas e demanda atenção médica imediata. Costuma ser mais forte e persistente, descrita como um aperto, peso ou pressão intensa no centro do peito. Em muitos casos, irradia para o braço esquerdo, a mandíbula ou as costas.
Nessa situação, o desconforto pode vir acompanhado de falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou sensação de desmaio. Diferente da dor digestiva, ela não melhora com a eliminação dos gases nem com mudanças de posição. Quando a dor persiste por mais de 20 minutos, pode ser um sinal de infarto em اینڈamento, exigindo socorro urgente.
“A dor de origem cardíaca é uma dor que é deflagrada pelos esforços. É uma sensação de peso, queimação no tórax, principalmente na região do meio ou em cima do peito à esquerda. Pode estar na região ali na boca do estômago, na região epigástrica também, mas ela é deflagrada pelos esforços e melhora com repouso”, acrescenta Fernanda Bento de Oliveira Viana, cardiologista do Grupo Kora Saúde.
Os cardiologistas ressaltam ainda que a dor no peito de origem cardíaca nem sempre será intensa e súbita. Desconfortos leves também podem ser indicativos de um problema no coração, o que exige um olhar atento.
“Às vezes é só uma sensação de aperto ou um desconforto leve. Vale muito observar se é deflagrado por esforços, por uma pequena caminhada ou por subir uma escada. Isso acende muito um alerta para ser de origem cardíaca. Às vezes ela é mais insidiosa, mais leve, mas a gente tem que prestar atenção nesse tipo de dor”, adverte Viana.
Diante de qualquer dor no peito, a recomendação é clara: nunca ignorar os sintomas. Na dúvida sobre a origem do desconforto, é crucial buscar atendimento médico o quanto antes, especialmente se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de outros sintomas alarmantes.
“Só na consulta, na forma como a gente faz a entrevista com o paciente, a gente já consegue desconfiar se a dor no peito é cardíaca ou não. E se a gente desconfiar que realmente pode ser um problema no coração, a gente vai partir para os exames básicos até os mais complexos. E, se for uma dor no peito não cardíaca, vamos investigar a origem. Os exames mais usados nesse caso são a endoscopia gástrica, a ultrassonografia, a tomografia de abdômen e a tomografia de abdômen-pelve”, detalha Mitri, reforçando a importância da avaliação profissional.
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