CONCORRÊNCIA DESLEAL
Indústria Brasileira Vê Avanço Chinês no Mercado Interno
Setor nacional projeta déficit de US$ 146,4 bilhões em 2026 e cobra ações contra "custo Brasil".
A indústria brasileira acendeu um alerta nesta sábado, 16 de maio de 2026: a Coalizão Indústria, que representa diversos segmentos nacionais, projeta um déficit recorde de US$ 146,4 bilhões na balança comercial de manufaturados para 2026. Essa previsão drástica, impulsionada pela baixa competitividade interna, juros elevados, o "custo Brasil" e a crescente entrada de produtos importados, sobretudo da China, sem condições equânimes, ameaça diretamente o futuro de milhares de empregos e a capacidade do país de produzir, gerando apreensão sobre a dignidade econômica e social de muitos brasileiros.
O cenário preocupante decorre da perda contínua de espaço do parque industrial brasileiro no mercado interno. A Coalizão Indústria, que congrega entidades de setores cruciais para a economia nacional, aponta que o avanço das importações se intensifica em um ambiente de taxas de juros elevadas, altos custos estruturais da economia brasileira e uma enxurrada de produtos estrangeiros em condições de concorrência desiguais.

Ainda segundo a Coalizão, a recente derrubada do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, agravou a situação. Para os representantes da indústria e do varejo, essa medida impulsionou ainda mais a pressão sobre empresas nacionais, particularmente no comércio eletrônico, onde a concorrência desleal já era uma realidade.
A força da Coalizão Indústria reside em sua abrangência, reunindo setores como aço, automotivo, alimentos, brinquedos, calçados, construção civil, máquinas, têxtil, plástico, farmacêutico e eletroeletrônico. Juntos, esses segmentos respondem por cerca de 44,8% do PIB industrial brasileiro, tornando seu alerta um indicativo robusto da saúde econômica do país.
Durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, os líderes setoriais enfatizaram que o problema não reside na importação em si, que faz parte do comércio global, mas sim na dificuldade de competir com produtos subsidiados ou fabricados com custos drasticamente menores em outras nações, como a China. "A indústria nacional busca condições iguais de competitividade", declarou Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).
Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria e presidente executivo do Instituto Aço Brasil, exemplificou a gravidade ao revelar que as importações ocuparam um terço do mercado brasileiro de aço em 2025, um golpe severo para a produção interna.
As projeções da coalizão para 2026 são sombrias: um crescimento industrial abaixo de 2%, enquanto as importações devem disparar em cerca de 6%. Igor Calvet, presidente da Anfavea, expressou a preocupação de que "o mercado interno brasileiro está sendo ocupado por produtos estrangeiros em ritmo superior ao crescimento da produção nacional", um desequilíbrio que sufoca a capacidade geradora de riquezas e empregos no Brasil.
Diante deste cenário, as entidades clamam por medidas urgentes. Elas defendem o fortalecimento de mecanismos de defesa comercial, como ações antidumping e salvaguardas, além da imperativa redução das taxas de juros e de iniciativas concretas para diminuir o oneroso “custo Brasil”, que engloba entraves tributários, burocráticos e logísticos que minam a produtividade.
Apesar da preocupação, a Coalizão Indústria mantém um horizonte de esperança. Os setores representados preveem investimentos significativos de aproximadamente R$ 1,1 trilhão entre 2026 e 2030, demonstrando uma aposta na resiliência e no potencial de recuperação do parque industrial brasileiro, desde que sejam criadas condições de concorrência justas.
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