CRISE CLIMÁTICA AGUDA

Incêndio em Fontainebleau consome floresta enquanto onda de calor castiga a Europa

Incêndio florestal com densa fumaça e atuação de equipes de socorro na França.
Bombeiros combatem incêndio de grandes proporções em área florestal na França.

Mais de 800 hectares foram destruídos ao sul de Paris sob temperaturas extremas. Autoridades europeias alertam para riscos à saúde, colapso na geração de energia e ameaças à segurança alimentar.

Equipes de emergência combatem um incêndio de grandes proporções na floresta de Fontainebleau, ao sul de Paris, em um cenário agravado pela onda de calor que assola o continente europeu nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026. A destruição de mais de 800 hectares da área verde, confirmada pela BFMTV, mobilizou aeronaves que captam água diretamente do rio Sena para conter o avanço das chamas.

O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou que as autoridades investigam uma possível origem criminosa para o sinistro. O evento não é isolado; a crise climática tem antecipado a temporada de incêndios e aumentado sua virulência, transformando vegetações viçosas após um inverno chuvoso em combustível altamente inflamável diante de sucessivas ondas de calor.

O impacto humano é severo. Segundo a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, o país registrou um aumento de 29% nos óbitos na última semana de junho, com mais de 2.000 mortes atribuídas diretamente às altas temperaturas. A Europa, que aquece duas vezes mais rápido que a média global, conforme dados do Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas da União Europeia, enfrenta um cenário de vulnerabilidade crescente para cidadãos acima dos 45 anos.

A situação é crítica também na Espanha, onde o ministro Fernando Grande-Marlaska mobilizou mais de 460 profissionais para controlar o fogo próximo a Los Gallardos, na costa de Alméria. O desastre já é considerado o mais letal no país desde 2005. Paralelamente, no Reino Unido, o serviço meteorológico nacional reportou mais de 2.700 mortes relacionadas ao calor apenas em maio e junho.

Além da ameaça à vida, o calor compromete a infraestrutura básica. A EDF informou que a usina nuclear de Nogent, no rio Sena, teve sua operação reduzida, enquanto reatores no rio Garonne suspenderam a produção devido à temperatura da água. A crise também atinge a agricultura: a Coceral reduziu drasticamente as previsões de safra de milho na União Europeia e no Reino Unido para 52,7 milhões de toneladas, impactando diretamente o abastecimento alimentar e a economia local.

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