DEVASTAÇÃO AMBIENTAL URGENTE

Incêndio ameaça um dos maiores complexos de cavernas na América Latina

Vista aérea da área devastada por incêndio em complexo de cavernas na América Latina
Incêndio ameaça um dos maiores complexos de cavernas na AL — Foto: Reprodução/TV Globo

Chamas consomem mais de 12 mil hectares em reserva no Nordeste goiano; brigadistas enfrentam terreno íngreme para salvar o Parque Estadual da Caverna Terra Ronca.

Um incêndio de grandes proporções ameaça a integridade de um dos mais importantes complexos espeleológicos da América Latina. O combate ao fogo na região entrou no sexto dia consecutivo, nesta sábado (15), exigindo um esforço exaustivo de equipes especializadas para conter o avanço das chamas na Reserva Extrativista de Recanto das Araras.

O foco principal de preocupação abrange a divisa entre os municípios de Guarani de Goiás e São Domingos, no Nordeste goiano, estendendo-se até a fronteira com a Bahia. A complexidade do terreno, marcado por paredões íngremes e pedras, tem dificultado o acesso dos combatentes. Diante da dificuldade logística, o ICMBio avalia a necessidade de apoio aéreo para controlar os focos remanescentes em áreas de difícil alcance.

Atualmente, as estratégias de contenção focam no uso de sopradores e na divisão tática de brigadas. Segundo Albino Batista Gomes, gestor do ICMBio, parte das equipes atua na base da serra, enquanto outro grupo se desloca para o município de Correntina, na Bahia, na tentativa de cercar o fogo. O trabalho ocorre de forma ininterrupta, aproveitando o período noturno — quando as temperaturas são mais amenas e o comportamento do fogo é mais previsível — para avançar nas linhas de combate.

O Major Paulineli Damasceno, bombeiro militar responsável pela operação, ressalta que o terreno acidentado é o maior obstáculo para a proteção da biodiversidade. Até o momento, o incêndio já consumiu 12 mil dos 70 mil hectares de área preservada. A gravidade da situação exigiu até o uso de caminhão-pipa próximo a uma rodovia para evitar a expansão do desastre.

A polícia investiga a causa da ignição, com a suspeita de que caçadores tenham iniciado as queimadas na unidade de conservação. Embora o Parque Estadual da Caverna Terra Ronca, famoso por sua monumental entrada de 96 metros de altura, não tenha sido atingido, o impacto na fauna é preocupante, especialmente para espécies ameaçadas como a arara azul.

Para a brigadista comunitária Rivanilde Vieira de Souza, o esforço vai além do dever profissional. "Estou cansada, mas vale a pena porque a natureza vem em primeiro lugar. Sem ela, nós não somos nada", desabafa, personificando a luta dos moradores locais pela preservação deste patrimônio natural.

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