CLIMA EXTREMO NA AMAZÔNIA

Manaus enfrenta recordes de calor e estiagem sob efeito do El Niño

Termômetro sob sol forte durante período de seca em Manaus.
El Niño deixa o verão amazônico com tempo seco e temperaturas altas, em Manaus — Foto: Reprodução/TV Globo

Capital amazonense registra a temperatura mais alta do ano e vive escassez severa de chuvas, elevando riscos de incêndios em vegetação e áreas urbanas.

Manaus enfrenta um cenário de calor extremo e seca prolongada, agravados pela influência do fenômeno El Niño sobre o verão amazônico. O impacto climático tem alterado a rotina dos moradores e elevado a preocupação com a saúde pública e a segurança contra incêndios.

A capital amazonense registrou, nesta semana, a temperatura recorde de 36,3°C, marca confirmada pelo Inmet. O dado é considerado atípico para o período, gerando uma sensação térmica sufocante para quem transita pela cidade.

Para o vendedor José Carlos Cruz, a rotina tornou-se um desafio constante devido à intensidade do calor. O motociclista Ricardo Victor corrobora a percepção de que o desconforto climático começa precocemente, logo nas primeiras horas do dia.

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacifico, tem restringido drasticamente a ocorrência de precipitações. Segundo o meteorologista do Censipam, Paulo Moura, a capital não recebe chuvas consideráveis há mais de um mês. Foram registrados menos de 12 milímetros de chuva nos últimos 40 dias, volume significativamente abaixo da média esperada para a estação, que varia entre 40 e 70 milímetros.

Leonardo Vergasta, pesquisador da UEA/A, explica que a situação tende a se agravar nos próximos meses. "A expectativa, de acordo com as nossas previsões, é que esse calor ainda piore muito mais e seja amplificado em setembro e outubro, em decorrência do fenômeno El Niño juntamente com as ilhas de calor que ocorrem na cidade de Manaus", alerta.

A combinação de baixa umidade do ar e calor intenso reflete diretamente na segurança da população. O Corpo de Bombeiros do Amazonas reportou mais de 1.200 ocorrências de incêndios em vegetação ou edificações na capital apenas neste ano. O comandante Orleilso Muniz destaca que o cenário é de crescimento linear, com um período crítico ainda pela frente nos meses de setembro, outubro e novembro.

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