ALERTA SAÚDE PÚBLICA
Inca prevê 10 mil casos de câncer de lábio em 2026 no Brasil
A doença, majoritariamente em homens (7.570 casos), exige prevenção diária, especialmente no verão.
O Inca (Instituto Nacional de Câncer) lançou um alerta crucial que ressoa em todo o Brasil ao estimar cerca de 10 mil novos casos de câncer de lábio para o ano de 2026. Este número expressivo, com a maior parte (7.570) atingindo homens, evidencia a necessidade urgente de uma atenção redobrada da população. A doença, frequentemente negligenciada e facilmente confundida com problemas banais, impõe um desafio à saúde pública, mas encontra na prevenção diária a sua mais poderosa defesa, especialmente nos meses de verão, quando a exposição solar se intensifica.
Embora ainda pouco discutido, o câncer de lábio guarda uma ligação direta com a radiação ultravioleta, tal qual o câncer de pele. A exposição acumulada ao sol sem a devida proteção ao longo da vida desencadeia alterações celulares que podem, com o tempo, evoluir para lesões pré-cancerosas ou para o próprio câncer. “Isso pode ser devido ao fato de exercerem mais atividades ao ar livre com trabalhos como agricultura e construção, por exemplo. E por não usarem nenhuma proteção labial, seja com FPS, ou seja, apenas batom com pigmentos que já ajudam a proteger bem os lábios do sol”, explica Paola Pomerantzeff, dermatologista e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).
A preferência do tumor pelo lábio inferior, conforme também indicado pelo Inca, reside na sua maior incidência direta dos raios solares, ao contrário do lábio superior, que muitas vezes é sombreado pelo nariz. A conscientização sobre esta vulnerabilidade é vital para aqueles que atuam ao ar livre, praticam esportes externos com frequência ou possuem pele clara.
Contudo, a exposição solar não é o único fator de risco. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool também elevam significativamente as chances de desenvolvimento da doença. “O tabagismo e o consumo de álcool influenciam no câncer de lábio porque são substâncias que têm elementos carcinogênicos que, quando expostos em demasia, acabam por lesar as células locais, podendo causar danos ao DNA que causem a replicação celular descontrolada. Então, é muito importante evitar o excesso”, alerta Ramon Andrade de Mello, oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Os sinais de alerta do câncer de lábio podem ser sutis, o que muitas vezes retarda a busca por auxílio médico. Feridas nos lábios que persistem e não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, áreas endurecidas, descamação contínua ou sangramentos sem causa aparente são indícios que merecem investigação imediata. A confusão com o ressecamento comum ou herpes labial é um risco, destacando a importância de estar atento ao próprio corpo. “Geralmente aparece uma ferida ou lesão com sangramento que não cicatriza em poucos dias. Também pode aparecer um nódulo ou inchaço na parte do lábio inferior ou como manchas esbranquiçadas ou avermelhadas com dormência, dor ou sangramentos inexplicáveis”, detalha a Dra. Pomerantzeff.
A boa notícia é que a prevenção é descomplicada e acessível a todos. O uso diário de protetor labial com FPS (Fator de Proteção Solar) acima de 30 é fundamental, com reaplicação a cada três ou quatro horas, especialmente após comer, beber ou nadar. Complementarmente, adotar chapéus de abas largas e evitar a exposição solar nos horários de pico, entre 10h e 16h, ampliam a proteção. Manter-se hidratado e realizar o autoexame constante diante do espelho também são práticas cruciais para detectar qualquer alteração precoce. Em caso de qualquer ferida persistente, a recomendação é clara: procure um dermatologista para uma avaliação detalhada. A vigilância e o autocuidado são os maiores aliados na luta contra o câncer de lábio, garantindo mais dignidade e saúde para a vida.
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